segunda-feira, 11 de abril de 2011

Vergonha do Sete

     Primeiramente gostaria de esclarecer que este artigo foi eleborado por Cristóvam Buarque, senador e professor da Universidade de Brasília (UnB); e foi publicado na edição carioca do jornal "O Globo" do dia 08/04/2011.
                              
                                          Que país é esse?
     
      No século XIX, Victor Hugo se negou a apertar a mão de D. Pedro II, porque era o Imperador de um país que convivia naturalmente com a escravidão. Hoje, Victor Hugo não apertaria a mão de um brasileiro para parabenizá-lo pela conquista da 7ª posição entre as potências econômicas mundiais, convivendo com total naturalidade com a tragédia social ao redor. Estamos à frente de todos os países do mundo, menos seis deles, no valor da nossa produção, mas não nos preocupamos por estarmos, segundo a Unesco, em 88º lugar em educação.
     Somos o sétimo no valor do PIB, mas ignoramos que, segundo o FMI, somos o 55º país no valor de renda per capita, fazendo com que sejamos uma potência habitada por pobres. Mais grave: não vemos que, segundo o Banco Mundial, somos o 8º pior país do mundo em termos de concentração de renda, melhor apenas do que a Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.
    Somos a sétima economia do mundo, mas de acordo com a Transparência Internacional estamos em 69º lugar na ordem dos países com ética na política por causa da corrupção. A nota ideal é 10, o Brasil tem nota 3,7.
    Somos a sétima potência em produção, mas, quando olhamos o perfil da produção, constatamos que há décadas exportamos quase o mesmo tipo de bens e continuamos importando os produtos modernos da ciência e da tecnologia. Somos um dos maiores produtores de automóveis e temos uma das maiores populações de flanelinhas fora da escola.
    Um relatório da Unesco divulgado em março mostra que a maioria dos adultos analfabetos vive em apenas dez países. O Brasil é um deles, com 14 milhões; com o agravante de que, no Brasil, eles nem ao menos reconhecem a própria bandeira. De 1889 até hoje, chegamos à sétima posição mundial na economia, mas temos quase três vezes mais brasileiros adultos iletrados, do que tínhamos naquele ano; além de 30 a 40 milhões de analfabetos funcionais. Somos a sétima economia e não temos um único prêmio Nobel.
Segundo um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que pesquisou 46 países, o Brasil fica em último lugar em percentagem de jovens terminando o ensino médio. Estamos ainda piores quando levamos em conta a qualificação necessária para enfrentar os desafios do século XXI. Segundo a OIT, a remuneração de nossos professores está atrás de países como México, Portugal, Itália, Polônia, Lituânia, Látvia, Filipinas; a formação e a dedicação deles provavelmente em posição ainda mais desfavorável, por causa da péssima qualidade das escolas onde são obrigados a lecionar. Somos a 7ª potência econômica, mas a permanência de nossas crianças na escola, em horas por dia, dias por ano e anos por vida está entre as piores de todo o mundo. Além de que temos, certamente, a maior desigualdade na formação de cada pessoa, conforme a renda de seus pais. Os brasileiros dos 10% mais ricos recebem investimento educacional cerca de 20 vezes maior do que os 10% mais pobres.
    Somos a sétima potência, mas temos doenças como a dengue, a malária, a doença de chagas e leishmaniose. Temos 22% de nossa população sem água encanada e mais da metade sem serviço de saneamento. Segundo o IBGE, 43% dos domicílios brasileiros, 25 milhões, não são considerados adequados para moradia; não têm simultaneamente abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo.
     Esta dicotomia entre uma das economias mais ricas do mundo e um mundo social entre os mais pobres, só se explica porque nosso projeto de nação é sem lógica, sem previsão e sem ética. Sem lógica, porque não percebemos que “país rico é país sem pobreza”, como diz a presidenta Dilma. Sem previsão, por não percebermos a grande, mas atrasada economia que temos, incapaz de seguir em frente na concorrência com a economia do conhecimento que está implantada em países com menor riqueza e mais futuro. E sem ética, porque comemoramos a posição na economia esquecendo as vergonhas que temos no social.

O referido artigo também se encontra no "GloboOnline":
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/04/09/vergonha-do-sete-373821.asp

segunda-feira, 21 de março de 2011

Obama no Brasil

                                             Jogo de Interesses


 "Obama visitou o Brasil em um momento denominado por ele próprio como: "Trivial para a elevação de patamar do país à potência. A descoberta do Pré-Sal, Dilma como presidenta, e a diminuição das desigualdades são fatores possibilitadores deste alcançe."
     
     A Líbia, assim como o Oriente Médio passa por períodos de conturbação política e social. Os E.U.A.- principal cliente do ramo petrolífero- fortaleceu, nas últimas décadas, o protencionismo a esses grandes produtores e exportadores do Brent (principlamente Líbia, Egito e Arábia Saudita), gerando falsas perspectivas de estabilidade. A revolta tem como aspecto econômico mais relevante a alta do valor da Commoditty.
     Dentro desse contexto, por não sofrer interferências de crises étnicas e políticas, o Brasil, na visão de Obama seria um futuro exportador estável de petróleo em larga escala com o desenvolvimento adequado dos seus camps petrolíferos. Por esta circunstância, o presidente americano pretende investir em companhias americanas na área.
     Em seu discurso, pronunciado ontem no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o presidente enfatizou a representatividade de um país em ascenção como o Brasil, ser governado por uma mulher; para ele um marco. De fato, Lula embora tenha sido elogiado por Obama, se afastou no fim de seu mandato das negociações com os americanos. A mudança no Palácio do Planalto fora um alívio. Chefe de Estado novo, conceitos novos. Isso é o que se espera.
     Assisti o seu discurso. De certa forma, foi contagiante, cativante; uma chuva de elogios à "Terra que tem palmeiras onde canta o sabiá". Mas a ausência de concreticidade o vagou. Tópicos como o apoio à adesão do Brasil no Conselho de Segurança da ONU sequer foram mencionados. Pelo menos ao público presente. Somente a total cooperação "mútua" em eventos de grande porte como A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos além do tão cobiçado Pré-Sal. Velha Novidade. 

"Ao fim de tudo, o jogo de interesses de Obama prevaleceu. Afinal eles estão mais necessitados do que nós." 

                                                 Mattheus Reis

segunda-feira, 14 de março de 2011

Tragédia Japonesa

                                                   S.O.S.  Nippon

 "A ascensão do "Dragão Chinês" frente ao Japão ultrapassando-o e assumindo o posto de 2° economia mundial era, um indício da recente fragilização da "Terra do sol nascente". Entretanto, o que foi presenciado na semana passada foi um duríssimo golpe não só ao Estado mas, a esta sofrida nação."


     Localizado no Círculo de fogo do Pacífico - área com maior atividade sismológica da Terra - e encravado sobre 4 distintas placas tectônicas, o Japão  registrou o maior sismo de sua história, acarretando uma devastadora Tsunami. Estima-se no mínimo 10.000 mortes.
     Por sua excelente tecnologia e elogiáveis estratégias de evacuação este dado  é de certa maneira, irreconhecível em relação ao acontecido na Indonésia, em 2004 onde foram registradas 300.000 vítimas.
    Mas não só esse problema assombra os japoneses. O tremor afetou o funcionamento de diversas usinas nucleares, colocando em risco a saúde da população podendo ser, contaminada com material radioativo com o vazamento deste. Cerca de 200 habitantes da província de Fukushima apresentaram sintomas de intoxicação. Especialistas já questionam a segurança deste modo de obtenção energética. Outros 2 graves acidentes se assemelham ao desta semana: Em Chernobyl, na Ucrânia e outro em Three Mile Island, nos E.U.A.
      Todo esse contexto coloca em cheque o governo do 1° ministro Naoto Kan. Criticado e com apenas 20% de aprovação, Kan, precisa se impor, estar presente e prestativo às necessidades emergenciais de seu país para, afastar-se da dolorosa lembrança do terremoto de Kobe, em 1995, quando o então premier Tomiichi Murayama foi duramente repreendido por não participar dos esforços pós-tragédia e a Yazuka (máfia japonesa) foi tida com heroína, distribuindo mantimentos á população afetada 

          


                                                      Mattheus Reis

sexta-feira, 4 de março de 2011

Tudo tem seu fim

                                                Foi um prazer, Ronaldo

Nesta terça-feira (01/03), a Confederação Brasileira de Futebol, anunciou a realização de um amistoso ,dedicado à despedida de Ronaldo, contra a Romênia. O "artilheiro das copas", considerado por muitos o mais genial centro-avante já existente, símbolo de superação e vitória perdeu para si mesmo.

     O início avassalador no Cruzeiro, traduziu a mensagem de que não seria somente "mais um" no meio. Algo indescritível surgia.
     No Barcelona (ESP), suas jogadas mirabolantes tiveram como consequência o apelido de "Fenômeno". Que fenômeno era esse? Questão até hoje sem respostas fundamentais. Desafiadora para o mais célebre cientista. Nem mesmo a Copa do Mundo FIFA de 1998 manchou sua carreira; até agora.
     A peso de ouro se transferiu para a Internazionale de Milão (ITA), o drama começara. Aquela contusão gravíssima não estava nos planos. Deu-se início à corrida para a reabilitação até o mundial de 2002. Conseguiu. A redenção estava agendada. Artilheiro da competição, Brasil penta, melhor jogador daquele ano. Chegava o apogeu.
    Quando tudo ocorria bem, a máquina parou. A má atuação conjuntamente com a equipe em 2006, as temporadas frustrantes por Real Madrid (ESP) e Milan (ITA) além de problemas extra-campo, apagaram  seu brilho.
    O Corinthians abriu-lhe as portas, voltou com o status de sempre, estrela, conquistando títulos no ano de seu retorno, todavia novamente as contusões (seu pior adversário) e a descoberta de desvios hormonais aliados às eliminações na Libertadores da América, o fizeram ainda mais abaixar o rendimento.                                                   

  A hora havia chegado; decidiu parar

"Feliz aquele que viu Ronaldo atuar, um dos maiores atacantes destes tempos"


                                                               Mattheus Reis

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Enfim, sós

"Primeiramente, gostaria de esclarecer que este texto opinativo foi elaborado por Nelson Motta, jornalista e, publicado na edição carioca do jornal "O Globo" do dia 04/02/2011."

Como é bom ter uma presidente que não vive esbravejando nos palanques e dividindo o País entre ricos e pobres, entre as elites e o povo e culpando os adversários políticos por todos os males do Brasil.
Que delícia não ter que ouvir todo dia a presidente dizer que o Brasil começou no dia em que ela tomou o poder e que os que a antecederam só lhe deixaram uma herança maldita.
Que alívio ter uma presidente que não se diz uma metamorfose ambulante nem tem opinião formada sobre tudo, até sobre o que totalmente ignora.
Como é edificante ter uma presidente que não se orgulhe de sua grossura e ignorância nem deboche dos que estudaram mais. Que sensacional é ter uma presidente que lê jornais. E livros!
Como é civilizado ter uma presidente que defende os direitos humanos, tanto em Guantánamo como em Cuba e no Irã. E que declara que o Brasil não deve dar opinião sobre tudo que acontece em outros países.
Como é gostoso não ouvir a presidente acusar todos que não a apoiam de ter preconceito contra pobre, nordestino e operário. Ou contra mulheres de origem búlgara de classe média.
Como é moderno ter uma presidente que não chama todo mundo de companheiro, como na antiga Cuba.
Que prazer é não ter que ouvir uma presidente dizer que o nosso sistema de saúde está próximo da perfeição.
Como é confortador ter uma presidente que não diz que o mensalão é uma farsa da imprensa golpista. E que não faz nomeações partidárias para o Supremo Tribunal Federal.
Como é animador ter uma presidente que não proclama que o Brasil está milionário e estabelece como lema de governo "fazer mais com menos".
Que vai tirar Furnas e a Funasa dos quadrilheiros do PMDB e contratar um alto executivo para a Secretaria de Aeroportos.
Que deleite é não ver todo dia as páginas dos jornais e as telas de televisão ocupadas pela presidente e suas ações, opiniões e omissões.
Como é bom para a democracia ter uma presidente que não joga para a imprensa e obriga os jornalistas a correr atrás de notícias.
Que maravilha será ter uma presidente que assuma as suas responsabilidades e faça o que tem que ser feito.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Seria a melhor escolha ter...

                                                   ...Um novo Iraque?

Na postagem anterior, o blogueiro que vos escreve, abordou os possíveis desfechos positivos para a onda de protestos no Egito. Como no cotidiano, qualquer acontecimento mundial possui faces favoráveis e desfavoráveis e, destas, neste texto será opinado.

       A nomeação do vice-presidente Omar Suleiman aparentemente esfriou os ânimos exaltados por parte da população egípcia. Na reserva do exército e engajado com a situação social do país, Omar, parece ser um antídoto temporário embora, não dos mais confiáveis.
       Na última terça-feira, realizou-se uma reunião com chefes do Estado  e representantes de grupos expressivos como a Irmandade Muçulmana com fins de discussão sobre o futuro do país. Existente há décadas esta é caracterizada pela rigidez e brutalidade no que se diz, ao respeito das doutrinas islâmicas porém, no momento se junta a população como "Entidade em prol do bem estar" afirmação de certa maneira perturbadora e duvidosa.
       Com vários seguidores, o grupo fundamentalista pretende ter uma maior representatividade e até o cargo maior do governo nas próximas eleições que serão convocadas. Mubarak, na sexta-feira (04/02) conhecido como "dia do ultimato", confirmou o desejo dos manifestantes de não permanecer na presidência.
       Essa situação não agrada Suleiman, que caso os protestos se intimidem poderá decretar um Golpe de Estado e instaurar outra ditadura.
       A crise é profunda, a Irmandade Muçulmana no poder levaria consequentemente à implantação de um Estado fundamentalista baseado nas leis islâmicas, o que favorece a criação de facções terroristas. Se Omar cumprir o que ameaçou, a nação egípcia presenciará a elevação de um novo "Mubarak" no comando. Então qual a melhor opção a ser tomada?



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Seria o fim da ditadura?

                                        O povo se cansou 

     Tudo começou na Tunísia com a denominada "Revolução do Jasmim". Como em todo país do mundo árabe, as causas do movimento são a desigualdade social e carência de oportunidades de emprego e, tinha um alvo certo: o presidente Zine al-Abidine, acusado de corrupção e desvio de verba pública, que ocupa o cargo há 18 anos. O povo reivindicou seus direitos . Em consequência disso, sua queda foi inevitável e buscou exílio na Arábia Saudita.
      Trata-se de uma bomba-relógio. Os ideais também influenciaram os egípcios que, com um governo semelhante ao tunisiano, pedem a renúncia de Hosni Mubarak, com 30 no poder. Cidades como Cairo, Alexandria e Suez se transformaram pólos de resistência.
      Num apelo a melhores condições de vida, ambas as nações crêem na Democracia como forma de mudança mais viável. Como trunfo dos protestos está a inexistência de preferências religiosas, o que valoriza o nacionalismo, fortalecendo a união do povo contra as forças governamentais.
      Os E.U.A., forte aliado do Egito se mantêm imparciais em meio a situação, talvez para agradar o premiê, líder nos diálogos para um possível acordo de paz na região.
      Em ocorrência disto, pela primeira vez, a palavra democracia soa com força num Oriente Médio marcado pela rigorosa censura à manifestações de cunho democrático. Embora seja um marco na história árabe, o Egito parece ser o "fim da estrada" desse avanço.