quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Súplica carioca

                                                O petróleo é nosso

Ontem, o Senado Federal aprovou a emenda constitucional, na qual permite o repasse e divisão dos royalites oriundos da extração petrolífera a estados que não são produtores do combustível. Maior produtor do país, o Rio de Janeiro poderá perder grande parte de sua receita, caso a presidenta Dilma Rousseff sancione tal proposta.
  
   Os defensores do projeto afirmam ser benéfica a repartição dos altos valores dos royalites, em função do desenvolvimento gerado por estes às federações com menor verba fornecida pelo Governo Federal.
   É evidente que esta intenção é uma das mais nobres. Sim, para que o Brasil evolua como um todo, é fundamental que todas as suas regiões obtenham esta evolução homogêneamente, o que nunca aconteceu nos 510 anos de história deste país.
   Mesmo assim, esta maneira apresentada não condiz com a solução do problema da submissão econômica ao Sudeste.
   A proximidade dos grandes eventos que o Rio de Janeiro abrigará, cria uma aflição nas autoridades fluminenses, correndo eminentes riscos de perda de uma das suas principais garantias financeiras. Fora as consequências secundárias acarretadas como aumento de impostos e cortes na previdência social - cerca de 50% das aposentadorias são pagas como o dinheiro proveniente dos royalites.
   Todo esse contexto remete ao período Varguista, que promoveu a nacionalização do petróleo, impedindo a atuação de empresas estrangeiras no ramo, por via da campanha " O Petróleo é nosso". Em 2011, as circunstâncias são divergentes, mas o slogan é um grito de guerra e ao mesmo tempo uma súplica dos cariocas

                                                        Mattheus Reis  

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Contra-ataque

                                                   O ano que está apenas começando

"Primeiramente, gostaria de esclarecer que este artigo e de autoria da escritora Rossika Darcy de Oliveira e foi publicado na edição carioca do jornal "O Globo" em 15/10/2011."
   
     Às vezes, inesperadamente, a história se acelera. Foi assim em 1968, quando, mundo afora, jovens foram às ruas, pedindo, uns, a imaginação no poder, outros, o povo no poder. Foi assim em 1989, quando caiu o muro de Berlim, levando de roldão o carcomido socialismo real. Tempos em que novas ideias e valores vieram à tona, regenerando tecidos sociais e culturais. Anos que invadiram as décadas que se seguiram.
     2011 está sendo um ano assim. Do Cairo a Tel-Aviv, de Madri a Nova York, a indignação move multidões.
     São pessoas, não partidos, ocupando praças onde ecoa um sonoro “não”, entoado em diferentes refrões. Gente que, afirmando o que não quer, diz, pelo avesso, o que quer. Não querem mais ditaduras.
     A Praça Tahrir deu o exemplo. O mundo árabe ecoou a mensagem primaveril e vai pondo para correr, um a um, ditadores que se acreditavam eternos.
    Mulheres sauditas saem às ruas dirigindo automóveis em desafio à lei que até isso lhes proibia. Além da carteira de motorista, ganham título de eleitoras e o direito de ser candidatas.
    Na Indonésia, maior país islâmico, minissaias e véus se misturam nas praças em protesto contra a violência sexual. Oslo responde atribuindo o Prêmio Nobel da Paz a três mulheres, duas da Libéria e uma do Iêmen, defensoras dos direitos humanos e - coisa rara por lá - que entendem por humanidade os homens e as mulheres. Longe do espantalho fundamentalista, querem liberdade.
    No Brasil não queremos mais a corrupção, que não é mais aceita, como já foi, como fato cultural, o que desonrava nossa cultura e exilava a ética. O movimento Ficha Limpa, inovador e eficaz, nos redime desse estigma.
    Os indignados que acamparam em Madri - e o rastilho está correndo em toda a Europa - não querem mais injustiça. Questionam uma lógica econômica que destrói empregos e direitos sociais, denunciam o banditismo que impregna o sistema financeiro global.
    Em Nova York, americanos ensaiam ocupar Wall Street e chamam de escroques senhores que até ontem eram o símbolo mesmo do poder e do sucesso. Sustentam que é dali, não do Iraque ou do Afeganistão, que provém a ameaça mais clara e iminente aos Estados Unidos.
    Em 2003, Warren Buffet, que entende do assunto, já alertava para o risco de uma “megacatástrofe” provocada pelos derivativos financeiros, “armas de destruição em massa” com o poder de destroçar a economia mundial. Quando essa percepção se espalha pelo mundo, o rei nu perde suas míticas calças de veludo. O que está sendo repudiado como imoral não é só a ordem econômica. É um sistema de valores, ou melhor, um sistema desprovido de valores, que tem o dinheiro como fim e a ganância como princípio, destruidor dos laços de solidariedade que construíram a civilização, contrariando a lei da selva.
    Não importa quantos manifestantes estarão neste sábado em frente à City de Londres ou na Grand Place de Bruxelas, e quantas mais cidades pelo mundo terão aderido ao dia mundial de protesto. A profundidade da indignação não se mede pelo número de indignados. A radicalidade da mensagem que estão mandando quebra o senso comum que teve longa vida e entregou ao mercado e aos políticos — e quão promíscua é a relação entre eles — o direito de decisão sobre o destino de todos.
    Os protestos planetários dão o depoimento vivo sobre a agonia de um sistema político que, contaminado pelo sistema econômico, perdeu legitimidade. Órfãos de seus representantes os manifestantes se representam a si mesmos. Iniciativas debatidas na grande rede deságuam nas praças. Sem a rede não existiria a praça. Mas é a praça que tece a vida real. A rede e a praça são os recursos com que os “99%” contam frente à falência e à cumplicidade dos sistemas econômico e político.
    Fechado em sua lógica, o mundo político não decodifica o enigma das ruas e desqualifica seus atores: arruaceiros, sonhadores que não sabem o que querem, sem programa e sem organização. Desconectados do mundo real, políticos míopes não medem a extensão de seu próprio desastre.
   Os protestos não são um revival de nada. São um fato inaugural. Manifestações de rua são febris e, como a febre, sintomáticas. Podem refluir, mas nada será como antes. Terão sido o rascunho de uma nova agenda de angústias e alegrias humanas, não de perdas e ganhos financeiros. Liberdade, justiça e ética são demandas que sintetizam um novo humanismo. Expressões como bem viver e felicidade, que soavam piegas e fora de moda, ressurgem como esperanças.
   A indignação é uma resposta à procura de sua pergunta. 2011 é um ano que está aénas começando.

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domingo, 9 de outubro de 2011

Apenas uma questão de tempo

                                                                         Sem limites

   Na madrugada deste domingo (09/10) a Fórmula-1 conheceu o seu mais novo campeão da temporada de 2011. Incontestável durante o campeonato, Sebastian Vettel dominou com sobras a liderança e era o mais apto para a conquista do título.
   
   As 5 vitórias nas 6 primeiras etapas garantiram uma vantagem confortável para os outros pilotos na disputa; o que seria motivo de desleixo - como foi o caso de Lewis Hamilton , em 2007 - poderia culminar na perda do bicampeonato.
   Entretanto, em momento algum, cogitou esta possibilidade. Não queria dar uma oportunidade ao azar. Claro que que pilotava o melhor bólido, contudo todo campeão qualificado além de ser brilhante necessita de constância. Talvez esta tenha sido a diferença dos títulos de 2010 e 2011.
   No ano passado, Vettel foi apenas brilhante, enquanto seu companheiro, o australiano Mark Webber, teve como palavra-chave o equilíbrio. Erros e trapalhadas fizeram com que o alemão fosse campeão na última prova, em Abu Dhabi. Já nesta temporada na 15ª prova, com 4 GPs de antecedência o bicampeonato estava garantido.
   Mesmo que o ano de 2011 não tenha sido dos mais emocionantes no mundo da Fórmula-1, o desfecho da temporada não poderia acontecer em país mais propício. Abalado pela tragédia do Tsunami, no início do ano, o Japão recebeu com entusiasmo a categoria.
   Ainda restam os GPs da Coreia do Sul, Índia, Emirados Árabes e Brasil. São 100 pontos em jogo. é o que sobra aos pilotos competir. E, se Vettel com méritos venceu o campeonato, Jenson Button merece o 2° lugar na classificação. Vencedor do GP do Japão, depois de Vettel foi o mais constante. Nada mal para aquele que é considerado o mais cauteloso e conservador na direção.
   Uma "Era Vettel" inicia e o piloto da Red Bull Racing (RBR) é apontado por muitos como sucessor do compatriota Michael Schumacher. Ele não tem limites, logo se permitirem, o campeonato de 2012 já terá um forte favorito.

*Leia mais sobre o título de Sebatian Vettel na F1!


                                                          Mattheus Reis

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Queda de braço

                                         Virada de jogo

Está em trânsito na Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) o pedido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de reconhecimento unilateral dos territórios palestinos como Estado independente. Com grande apoio, os palestinos esbarram em Israel e E.U.A. para conquistar sua emancipação.
    No apelo, consta a intenção de anexação dos territórios pertencentes à Palestina antes de 1967, no período da "Guerra dos Seis Dias". Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro judeu - juntamente com os norte-americanos - endoça e prioriza os diálogos pela manutenção da paz.
    Embora, há pelo menos 2 anos não tenha sido registrados embates entre Israel  e Palestina, as conversas estagnaram e o Fatah, partido de Abbas, visualiza na independência  um modo de apaziguar a região.
    Mesmo com a adesão da população palestina, o premier enfrenta sanções do opositor Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Este grupo teme que caso o apelo seja aprovado, a Palestina que necessita de recursos financeiros externos dos E.U.A., venha a perder este auxílio, aumentando a dificuldade para erguer o proposto Estado. É um risco que Abbas assumirá se seguir em frente neste processo.
    Os E.U.A. declararam publicamente que vetarão a medida. Se cumprir a determinação, o país - membro permanente do Conselho de Segurança da ONU - impede o sonho do primeiro-ministro palestino.
    Obama está sendo internamente muito criticado pelo seu governo, mas tem razão e nexo no que ele afirmou nos debates: "Não são resoluções da ONU que instalarão a paz entre israelenses e palestinos". De fato, a independência geraria fúria em Israel pela perda de alguns territórios fazendo com que a insatisfação mude de lado, enquanto a Palestina vibra e comemora.
    A decisão deverá ser anunciada até o final da semana e independentemente do resultado, o conflito entre estes povos não será solucionado. Uma hora a Palestina conseguirá a independência, entretanto isso não significa o fim das conversas pela paz e estabilidade. Quem sabe, em um futuro próximo uma flâmula branca seja fincada entre as bandeiras de Israel e Palestina.


* Leia mais sobre a "Questão Palestina"!


                                               Mattheus Reis 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Não é novidade

                                         Sonho distante

Semana passada, foi divulgado o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) constando um dado que infelizmente, não é surpreendente: Menos de 50% dos estudantes avaliados obtiveram notas acima da média - 500 pontos. Como uma das consequências, em matéria publicada no Jornal "O Globo", deste último domingo, um estudo comprovou que os profissionais brasileiros não são capacitados o suficiente para um mercado global cada vez mais exigente.  
   
   Nesta pesquisa, a consultoria "Heidrig & Struggies" afirma que dentre os 60 países analisados, o Brasil ocupa a 35ª posição, atrás de todas as nações desenvolvidas e de alguns membros dos Brics, como a Rússia.
   De fato o ensino nacional é precário e o Enem; o espelho deste descaso das autoridades perante a base de sustentação de uma sociedade. Tal obsolência também é demonstrada na adoção do referido exame - uma prova descriteriosa e sem crédito - sendo o método de ingresso em universidades, como exemplo, a UFRJ.
   Se o ensino fundamental for fraco, o ensino médio e superior serão sofríveis. No Brasil, os alunos estudam várias matérias ao mesmo tempo, praticam a "decoreba" e não adquirem conceitos práticos. E.U.A. e Europa adotam formas de priorização de específicas disciplinas para as quais, determinado aluno possui aptidão, executando atividades extracurriculares, associando os conteúdos teóricos e práticos.
   Todavia, essa avaliação revela também a não garantia de qualidade na rede privada. Apenas exceções como o Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, é comparável às instituições européias de ensino, líderes no ranking.
   Mesmo o estado do Rio de Janeiro ocupando lugar de destaque com a maior quantidade de escolas bem avaliadas no ENEM, o abismo entre a boa educação e a realidade brasileira é do tamanho deste país. Maior ainda se comparado com as potências mundiais. A qualificação profissional é a alternativa para a obtenção do desenvolvimento. Pelo visto, o Brasil está descartando esta alternativa para crescer. Não conheço nenhuma outra. 
   





                                               Mattheus Reis

sábado, 10 de setembro de 2011

O mundo mudou, mesmo

                                        Legítimos Culpados

Neste domingo, 11 de Setembro de 2011, o mundo relembra um dos maiores acontecimentos do Século XXI, até o momento. O atentado ao World Trade Center, em Nova York, juntamente com o ataque aéreo à Base de Pearl Harbor, no Havaí, foram os únicos a atingirem territórios norte-americanos. Conceitos e opiniões acerca dos muçulmanos foram aprofundados e modificados. Mudou tudo.
   
   Os islâmicos que não possuem ligação alguma com redes terroristas e já eram alvo de preconceito, após o 11 de Setembro foram generalizados como extremistas, surgindo um grande "medo" por parte dos americanos. Grande equívoco. A parcela de simpatizantes a esses grupos em relação a toda população islâmica não alcança míseros 0,1%. Trata-se da lógica: Um culpado, todos condenados.
    Tais manifestações antissemitas têm como única e triste consequência o acirramento étnico e cultural entre estes povos. Embora tenha apaziguado a região, Iraque e Afeganistão quando invadidos pelas tropas, apenas estimulam o ódio explícito dos árabes e a Jihad (Guerra Santa), fora os inúmeros gastos financeiros que não apresentaram nenhum resultado eficiente. No Iraque, o governo buscou armas de destruição em massa - como se Saddam Hussein fosse capaz militar e economicamente de deter específico arsenal - já no Afeganistão, pela caçada ao líder da al-Qaeda e mentor do atentado às "Torres Gêmeas". Todavia, Osama Bin Laden foi encontrado no vizinho Paquistão
    Atualmente, ambos os países se encontram em situação econômica deplorável. Com gastos absurdos na segurança de aeroportos e vias de entrada, os E.U.A. não ficam atrás pois, se encontram em recessão que, poderia ser menor caso o confronto já estivesse encerrado. A Guerra não leva a lugar algum e não deixa vencedores.
    Chega a ser, de certo modo, conflitante pensar que determinadas organizações tenham como lema, impedir a construção de mesquitas em solo americano. Diante de situações em que pessoas inocentes são assassinadas em massa, é compreensível que o lado emocional se sobreponha ao racional. Mesmo assim, tal atitude e perseguição não são justificáveis.
    Foi brutal o que ocorreu 10 anos atrás. É uma mágoa incurável. O sentimento de vingança ecoa mais alto. Todas estas afirmações são verdadeiras, porém é necessário que os americanos percebam e se conscientizem que a legítima culpa se deve aos grupos terroristas - que podem ser intitulados de tudo menos de seguidores do islã - em vez dos muçulmanos como um todo.

 * Leia mais sobre o 11 de Setembro!
 http://oglobo.globo.com/mundo/11-de-setembro/
 http://oglobo.globo.com/mundo/11-de-setembro/info/10-formas-de-contar/

     
                                               Mattheus Reis

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"Kadafim"

                                     Fome de liberdade

   Na terça feira, o Conselho de Transição Líbio composto por rebeldes e opositores de Kadafi, e considerado por muitos governos globais como o legítimo poder local, em atitude surpreendente e devastadora tomou posse da capital Trípole. Dessa vez, o cerco contra Muamar Kadafi está praticamente intransponível.

    Quem diria que aquele simples e isolado protesto na Tunísia, a favor de uma reforma política, tomaria dimensões do tamanho deste planeta e se alastraria mais ferozmente que um furacão? A Revolução do Jasmim foi o pontapé inicial para uma virada de mesa favor da democratização no mundo árabe. Tunísia e Egito são as mais novas nações a conhecerem esta forma de governo. É difícil até de se acostumar após ditaduras que validaram-se por 20, 30 anos.  
     A próxima, tem tudo para ser, é a Líbia que em um processo que se arrasta por seis meses, está perto de derrubar seu ditador. A queda de Kadafi é um marco histórico deste país todavia, é imprescindível que ocorra uma restauração de todos os alicerces que sustentávam-no. Atualmente a situação é caótica
     As dúvidas, neste momento, são mais que normais. Ninguém sabe se o Conselho de Transição conseguirá instituir a democracia e unir uma nação dividida por richas tribais.
     Entretanto, consegue diminuir o défcit com o apoio internacional e as jazidas petrolíferas que detêm. A Líbia é o maior produtor africano do brent. São trunfos que os rebeldes devem utilizar para sair do fundo do poço.
     A respeito do Brasil, a visível indecisão e neutralidade diante do fato de reconhecimento do poder dos rebeldes comprova, infelizmente, que nosso país ainda não merece ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, que deseja demasiadamente. E isso não pode se repetir no caso Sírio, semelhante ao que acontece no país africano.
     Em meio a tiros e bombardeios, os líbios se manifestam e comemoram a provável queda do regime. Kadafi não lhes permitia o direito de se expressarem livre e publicamente. Agosto é o mês do Ramadã e os muçulmanos jejuam todas as sextas-feiras até o pôr-do-sol. Hoje eles sentem fome...de liberdade.




Leia a coluna de Miriam Leitão, jornalista do "O Globo", sobre a Líbia!  

                         
                                             Mattheus Reis