sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

"Super" até no nome

                                             Muito além de uma partida
 
 O próximo dia 03 de fevereiro será de muitas emoções e expectativas para os fãs da bola oval. San Francisco 49ers e Baltimore Ravens disputarão o título da 47ª edição do Super Bowl na cidade de Nova Orleans. A final da liga nacional de futebol americano (NFL) não envolve apenas os dois melhores times em busca da glória. Ao contrário, o espetáculo, marcante no evento, em certos momentos, ofusca o convidado de honra desta festa americana: o esporte. 
    De fato, a decisão de Domingo levará a campo franquias que foram merecedoras de fazê-la.  Embora o esporte circunstancialmente não premie o melhor ou o mais dedicado, ambos são dignos de serem os finalistas. Um time que encanta com suas jogadas contra aquele marcado pela constância, pela presença frequente nos playoffs. San Francisco e Baltimore não podiam faltar, de maneira alguma, neste show.
    O Super Bowl será especial para uma família, especificamente. Os irmãos Jim e John Harbaugh – técnicos dos 49ers e dos Ravens, respectivamente - estarão em lados opostos. Somente um deles será coroado; motivo, entretanto que não tirará a felicidade da família Harbaugh. A genética, sem dúvida, estará em campo, já que as duas equipes possuem estratégias de jogo semelhantes. Mais um fator preponderante para o equilíbrio.
    A história dos Super Bowls desmente, em certas oportunidades, o favoritismo presente nas especulações pré-jogo. Entretanto, poucas ressalvas são feitas pela imprensa esportiva acerca da mínima vantagem exercida por San Francisco sobre Baltimore. Tal margem deve-se a magistral temporada do quarterback Colin Kaepernick. Os 49ers, agora, possuem “o ás para dar a cartada final” - e, desse modo, igualarem-se ao Pittsburgh Steelers, como o maior vencedor da história com 6 títulos - diferentemente da última temporada, quando a vaga para final ficou a um passo da concretização, após a derrota para o New York Giants na final da Conferência Nacional.
    Todavia, este fato não rebaixa o adversário a mero coadjuvante, muito menos a ponto de ser considerado um provável “azarão”. A vantagem servirá apenas de falso parâmetro para os insaciáveis apostadores, ainda mais quando os Ravens buscam proporcionar um fim de carreira glorioso à lenda do time: oscilando entre acusações criminais e grandes atuações, Ray lewis, o melhor defensor da história da NFL, se aposentará após a decisão.
    Cerca de R$ 8 milhões de reais pagos por 30 segundos de comerciais, o maior consumo de comida em um único dia no mundo, show da célebre cantora Beyoncé no intervalo: são algumas peculiaridades que circundam o campeonato mais valioso do mundo em seu dia de gala. Não é a toa que um evento tão grandioso tenha em seu nome a palavra “super”. Caso contrário, qual sentido teria?  

* Assista ao Super Bowl a partir das 20:30 Hs de domingo nos canais ESPN e Esporte Interativo!

                                                             Mattheus Reis

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Jornada a ser cumprida

                                  A lição de Obama ao "Tea Party"


     Barack Obama iniciou de forma pública o seu segundo mandato à frente da presidência dos Estados Unidos. Seu discurso é prévia da postura com a qual o líder democrata lidará com as adversidades existentes na administração do país: garantia da inclusão social às minorias, coroando-a com um retoque de esperança, diante da tímida recuperação da economia, porém com maior rigidez na relação com os republicanos no Congresso.
     De fato, chegou a hora de Obama enfrentar sua "prova de fogo". Não é necessária a adoção de tanta cautela, pois não há mais  riscos de derrota nas eleições. Os magnatas jurássicos do grupo “Tea Party” – mais rebeldes do que os colonos revoltosos contra as Leis Intoleráveis – terão um adversário mais incisivo principalmente nas questões econômicas a partir de agora.
     Embora a recessão tenha denegrido parte de sua reputação, os Estados Unidos continuam a ostentar soberanamente o status de terra das oportunidades, que encanta milhões de imigrantes vislumbrados com novas expectativas de vida. Os latinos representam 15% do total de habitantes. Em 2042, hispânicos e negros, conjuntamente irão compor a maioria da população norte-americana. A reformulação da política imigratória busca, desse modo, atender as reivindicações da minoria que, no futuro, será predominante.
       A defesa da união entre homossexuais caracteriza-se como mais um passo determinante na quebra de preconceitos na sociedade americana. Decisão, esta, que deve estar acima do senso crítico individual, sendo encarada como um tema cada vez mais presente no cotidiano.
       Vale ressaltar a presença da articulação política nas entrelinhas dessas medidas. O apoio tanto de latinos quanto homossexuais aos democratas podem garantir importantes votos nas próximas eleições legislativas, em 2014, e na sucessão presidencial em 2016.
       O dia 21 de janeiro de 2013 simbolizou uma possibilidade de renascimento para os EUA. Mitt Romney afirmava a existência de uma crise sem precedentes. Só. Obama replica, reconhece a conjuntura desfavorável, e acredita em uma reviravolta já decorrente e não tão refém dos grandes conglomerados empresariais. Esse é o sentimento que envolve a nação mais poderosa do mundo: a predestinação, a crença no potencial do país. Assim deve ser o caminho traçado, a fim de retomar a geração de empregos, efetivar o maior controle sobre a comercialização de armas, entre outros temas-chave.
       Somente daqui a quatro anos, a história definirá a passagem de Obama pela Casa Branca. Seja parcial ou totalmente construído, seu legado terá como marca individual a nova metodologia de condução implementada, progressista em todos os âmbitos. Exemplo para os demais líderes mundiais e, sobretudo, para arcaicos membros do “Tea Party” republicano.

* Leia mais sobre o início do segundo mandato de Barack Obama à frente dos EUA!


                                                          Mattheus Reis

sábado, 19 de janeiro de 2013

Réu confesso

                          O conto de fadas de Lance Armstrong
 
   “Tirar vantagem de um rival em benefício próprio”. Encontrada em muitos dicionários, esta é a definição de trapaça. As crescentes acusações de doping sobre Lance Armstrong foram confirmadas por ele próprio ao ser entrevistado pela célebre apresentadora Oprah Winfrey em seu programa na mídia norte-americana.
    Lance Armstrong conquistou feitos incríveis no ciclismo. Ganhou a medalha de bronze, nas Olimpíadas de Sydney, em 2000 e o heptacampeonato no Tour de France. Todos estes feitos, porém, sob o efeito de hormônios e eritropoietina – proibidos pelo controle de dopagem. Perdeu todos os troféus e resultados. O “sete vezes enganador da Volta da França” viu sua máscara cair diante de milhões de espectadores.
    Ao tentar justificar a melhora de sua performance, via métodos ilegais, o ex-ciclista, já banido do esporte, afirmou ser praticamente impossível conquistar o Tour de France, quanto mais em sete oportunidades, sem apelar para sabotagens. Esta infeliz declaração reitera os princípios que norteiam seu pensamento. Não obstante, mantém, desse modo, uma postura cética sobre a capacidade e potencial humanos de superação. Já que ele defende esta tese, nunca poderia ser um atleta, que convive diariamente com dificuldades, sendo uma de suas funções, superá-las.
    Esta é uma das facetas obscuras do esporte. O doping é fator preponderante para queda vertiginosa de um mito, ainda mais na atualidade em que os atletas são considerados os heróis do século XXI perante inúmeros fãs do esporte. Não há duvida que muitos se espelhavam em Armstrong e sonhavam ser tão vitoriosos, como ele aparentava ser. Seu nome não está mais escrito na bíblia do esporte.
    Não é preciso ser o craque ou o medalhista de ouro para ser um grande vencedor. Os esportes coletivos ensinam tal lição. O técnico, o roupeiro e o cozinheiro de uma equipe são campeões, assim como um time de futebol, vôlei e basquete que vencem algum torneio. Cedo ou tarde, o doping ou outras violações são descobertas, visto o rigoroso controle de fiscalização. Lance Armstrong perdeu seu direito de competir profissionalmente e a verba de seus patrocinadores. Essa vida de mentira que o ciclista fingiu acreditar por tanto tempo compensa ao ponto de induzir outros atletas ao erro? Eu preferiria ser um mero amador e peladeiro, de qualidade duvidosa, como sou.
 
                                                                          Mattheus Reis

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O feitiço do Planalto

                                             Falta luz para enxergar.

Para publicar esta postagem na internet foi necessário esperar exatos 57 minutos até que a boa vontade da companhia elétrica pudesse restabelecer o fornecimento de energia. O pior de toda a desconfortável situação, diante do intenso calor no Rio de Janeiro, se deve ao fato de não poder atribuir a responsabilidade a um raio. Por mais "útil" que tenha sido o conselho da presidenta Dilma Rousseff, não há motivo algum para dar gargalhadas.  
     Apesar de o horário de verão ter a função de atenuar o consumo de energia elétrica, o centro-sul é a macrorregião com a maior e crescente demanda em decorrência de verões cada vez mais quentes. Reconhece-se que o cenário atual não é similar ao ocorrido em 2001, porém uma crise energética - mesmo em menores proporções - possui o poder de instabilizar Dilma Rousseff no último biênio, antes de sua tentavia de reeleição. Embora desminta a gravidade exarcebada do problema, o alto escalão do governo federal precisa remediar tal situação, já que a prevenção não foi realizada. Brasília tem essa magia, de abduzir e cegar os responsáveis pela condução do país ao desenvolvimento. Não estamos em um oásis no meio do deserto.
     Somada às defasagens da distribuição do serviço, problemas estruturais, está a conjuntura desfavorável do clima, proporcionando estiagens e a diminuição dos níveis nos reservatórios. Estes fatores interligados tendem a prejudicar a economia nacional, com a paralisação temporária de indústrias e a menor produtividade agrícola. Desse modo, o desejado "Pibão" toma o mesmo caminho, pulverizando-se a cada previsão do Banco Central.
     O ano de 2013 - vital, pois anuncia o início do ciclo esportivo no país, com a chegada da Copa das Confederações - deveria ser marcado pela confiança e afirmação. Todavia começa com incertezas sobre a capacidade, já questionada justamente, da infraestrutura para abrigar estes eventos. Para aqueles que assistiram ao ótimo filme "Rio", a cena na qual um apagão interrompe o super clássico entre Brasil e Argentina, no Maracanã, por mais engraçada que seja, merece ficar apenas na ficção.
      O curto-circuito reitera a necessidade de associação de políticas maciças de investimentos aos planos de governo. Sejam, os mesmos, investimentos públicos ou privados. O Brasil convive com 1 milhão de lares na escuridão e com uma usina hidrelétrica empacotada há 25 anos. Torna-se corrente a execução de medidas paliativas, como a utilização em maior escala das termelétricas, que exigem maiores gastos aos cofres públicos, consequentemente, repassados aos consumidores. A redução de 20% no valor da tarifa de energia anunciada no "apagar das luzes" de 2012 está em xeque. Promessa é dívida.

*Leia mais sobre o tema!
                                                 
                                                            Mattheus Reis

sábado, 22 de dezembro de 2012

Nenhum sonho é utópico

                                                  O 2013 que queremos.

Primiramente, gostaria de expor minha enorme "surpresa" por poder escrever esta postagem. Pensei que não chegaríamos ao, até então inatingível, dia 22 de dezembro de 2012. Pelo visto, o fim do mundo não aconteceu ou, no mínimo foi adiado. Sobrevivemos sem maiores sacrifícios. Já que superamos esta "barreira", consequentemente ainda temos uma missão a cumprir pelo bem da humanidade. O senso comum, neste contexto, foi o responsável por alardear uma simples transição, de acordo com a mística sociedade maia.
   Que a nova era anunciada pelo calendário maia perpasse pela concretização de uma significativa transformação na sociedade contemporânea. Que as incompreensíveis cenas de mulheres tirando fotos com seus pequenos filhos antes de explodirem seus corpos em locais públicos, em nome de Alá ou por um assento cativo no "céu dos tolos", sejam meras retratações do passado. A Jihad pode ser tudo, menos santa. Suplicar pela paz no Oriente Médio - através do reconhecimento da causa palestina e pelo cessar dos conflitos na Síria - também não custaria nada. 
   Que a América volte a ser abençoada por Deus. Uma nação atemorizada pelo terror. São muitos "James Holmes" espalhados pelo país, que invadem cinemas e escolas com o intuito de realizar massacres. Que no próximo ano, seja descoberto o antídoto para esta epidemia. 300 milhões de armas para 300 milhões de habitantes: esta proporção é uma afronta à paz nos EUA.
    Que a comunidade internacional e os países centrais voltem seus holofotes, com maior atenção e urgência para as problématicas que assolam as regiões mais pobres do mundo. Nossos irmãos que recebem menos de U$$ 1 por dia, em Bangladesh, Malawi e na Índia, pedem socorro. As metas do milênio não podem demorar 1000 anos para tornarem-se realidade.
    A natureza clama por ajuda, do mesmo modo. Estamos desperdiçando todo o nosso potencial intelectual ao não percebermos que pertencemos a um grande meio interligado, e que qualquer alteração do meio ambiente, de forma insustentável, implicará indireta ou diretamente sobre nós, homens. O mundo acabará, segundo a comunidade científica, daqui a 4,5 bilhões de anos. De maneira alguma queremos acelerar o fim dos tempos.
    Que o ano de 2013 seja um paradigma acerca da qualidade de vida no Brasil. Que o esporte, inibidor das dicotomias sociais, seja a alavanca para o desenvolvimento socioeconômico. A Copa das Confederações, a Copa do Mundo FIFA e os Jogos Olímpicos podem ser mais valiosos do que seus respectivos gastos de organização. Como seria esplêndido ver nas manchetes dos veículos de comunicação  a inédita presença do país no grupo das nações mais desenvolvidas... 2013 dificilmente será o ano em que isto acontecerá, entretanto pode ser o início. Um grande avanço foi conquistado este ano, ao ser desmitificada a premissa da perpetuação da impunidade. O combate à corrupção é, sem dúvida, um dos vetores para a evolução da sociedade brasileira.
    Por mais utópicos que todos estes desejos pareçam, os sonhos são as ambições benéficas dos seres humanos. Com o planeta Terra não pode ser diferente. E não há momento mais auspicioso e propício para idealizar e mudar, como o Natal e o fim de ano. Gostaria de agradecer a todos os leitores deste blog, que de um simples instrumento para desenvolver a escrita e a redação, inicialmente, foi o responsável direto na escolha da minha carreira profissional. Espero que os 74 textos publicados desde dezembro de 2010 tenham contribuído para que os jovens e adolescentes ampliassem seus conhecimentos, a visão sobre o mundo e suas atualidades.

Feliz Natal e um 2013 de sonhos e realizações! Querer mudar é ser diferente; é preciso!   

    
                                                                Mattheus Reis

domingo, 16 de dezembro de 2012

O mundo é um hospício

                                                     Revolução Corinthiana

O merecido triunfo do Corinthians sobre o Chelsea (ING) na final do Mundial de Clubes da FIFA comprova que um time bem sucedido não necessita, condicionalmente, um elenco constelado. Somente a estruturação dos clubes, extra-campo, e o estilo de jogo coletivo podem derrotar os tão badalados clubes europeus. Coletividade ausente no vice-campeão.
   O Corinthians, nestes últimos 4 anos, consolidou-se como o time mais vitorioso do país por ser o pioneiro na adoção de um novo modelo de gestão que garanta sua rentabilidade. Boas contratações e conquistas são consequências desse processo. O rebaixamento, em 2007, no campeonato brasileiro, inciou uma revolução, um paradigma, culminando no redirecionamento do clube ao caminho do sucesso.
   Por mais que o Chelsea esteja atravessando conturbado momento, a decisão do mundial não fugiria do padrão de equilíbrio. Entretanto, o Corinthians caracterizou-se em campo pela ousadia, chegando a ser superior, tecnicamente, na maioria dos 90 minutos, diferentemente de São Paulo e Internacional - campeões em 2005 e 2006, respectivamente, mas que tornaram-se reféns do jogo ofensivo de seus adversários nas finais.
   Os ingleses atacavam menos. Em compensação, proporcionavam maior perigo. Todavia, Tite possuia um time de qualidade inegável, do goleiro ao atacante. Cássio foi heroi em momentos cruciais desta caminhada até o topo do mundo: na decisão de hoje e nas quartas-de-final da Libertadores da América quando defendeu, milagrosamente, contra o Vasco, uma finalização de Diego Souza. A sua convocação para a seleção brasileira seria , acima de tudo, justa. A eterna fiel torcida, em todos esses anos de expectativa, jamais imaginaria que um peruano marcaria o gol mais importante da história do clube. Além de iluminado, ele é "Guerrero".
    Neste fim de ano, o futebol brasileiro conseguiu resgatar sua identidade gloriosa. Em um 2012 de frustrações e incertezas - a perda do ouro olímpico, mais uma vez, e a demissão do técnico Mano Menezes - as conquistas do Mundial de Clubes e da Copa Sulamericana por Corinthians e São Paulo, na devida ordem, recolocam o Brasil na rota rumo à elite do futebol mundial. 
   Denominar o Corinthians como primazia nada mais é do que uma virtude. Tanto os 30 mil em Yokohama, quanto os milhões no Brasil são, sem dúvida, o motor deste time. O "Bando de loucos" tingiu o mundo nas cores que marcaram a melhor época do esporte mais popular do planeta: preto e branco. O mundo é dos loucos. Banzai Corinthians! Subarashii!     

* Veja a galeria de fotos do Bicampeonato mundial do "Timão".
http://globoesporte.globo.com/futebol/mundial-de-clubes/fotos/2012/12/fotos-corinthians-vence-chelsea.html

* Veja os melhores momentos do jogo do título!
http://www.youtube.com/watch?v=PUo2pz7DP74

                                                                Mattheus Reis

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O "UFC" de Brasília

                                  Os desconfiados e os desconfiáveis

O julgamento do caso do mensalão, quando acreditava-se em um desfecho próximo, após meses de tramitação no Supremo Tribunal Federal, possibilitou o surgimento de uma nova e acirrada divergência. Em seu "apagar de luzes", a penúltima sessão do processo colocou em pauta o debate acerca da indevida ou não prerrogativa do tribunal em conceder a perda de direitos políticos de parlamentares envolvidos no escândalo.
    A Constituição federal e o Código penal - textos que representam a conduta para o estabelecimento de sentenças - apresentam, neste quesito, interpretações distoantes. O Código declara, como automática, a perda de tais direitos em caso de condenação jurídica. Entretanto, a Constituição defende a intermediação do congresso na decisão. Tal divergência entre a Constituição e o Código Penal comprova o estado desarmônico e não integrado de ambos os textos, sendo necessária a imediata reformulação do último.
   A opinião geral do congresso sobre o caráter evasivo da decisão abre as portas para uma crise institucional. De fato, foi estabelecida uma afronta à independência dos três Poderes e, consequentemente, ao Estado de Direito. Por outro lado, pode-se, logo, apontar um cenário de desconfiança por parte dos ministros do STF perante os membros da Câmara dos Deputados acerca da responsabilidade que lhes seria atribuída. Haveria o temor de que os parlamentares não cumprissem o "dever de casa", ou seja, a cassação dos envolvidos.  
   A euforia proporcionada pelo grande avanço no combate à impunidade, explícito no julgamento do mensalão, não pode se refletir em atitudes precipitadas que, inclusive, violem a legitimidade constitucional.
  Ao depositar um voto de confiança na ação da Câmara dos deputados, o STF estaria, simultaneamente, atenuando as possibilidades de agravamento das tensões geradas pela eclosão da crise institucional. A não retribuição dos parlamentares a este crédito, além de não garantir a total sensação de justiça- objetivo do julgamento do mensalão - caracteriza-se como um desrespeito a todo o processo de mobilização popular que contribuiu para a elaboração da Lei da Ficha Limpa, marco na tentativa de afastar dos cargos públicos políticos que estejam em débito com a sociedade.

                                                          Mattheus Reis