sexta-feira, 5 de abril de 2013

Brincando com plutônio

                                       O "suicídio" de Kim Jong-Un


Um soldado sul-coreano olha para o norte em um posto de observação perto da zona desmilitarizada (DMZ), que separa as duas Coreias em Paju, ao norte de Seul.
Foto: KIM HONG-JI / REUTERS     Há pelo menos duas semanas, o clima de tensão ronda os ares do extremo oriente. O regime ditatorial norte-coreano intensificou as suas já conhecidas ameaças à vizinha Coreia do Sul e ao seu aliado, EUA, a ponto de por em xeque a paz na região, com a realização de testes nucleares.
      O atrito na península coreana é, sem dúvida, a grande e viva lembrança do período da Guerra Fria. Ocorrida na década de 1950, a segregação é o maior paradoxo em termos políticos, econômicos e sociais existente nos dias atuais. Uma simples fronteira é vista como portal, que separa a Idade Medieval do futurismo.
      A grande questão desse tema refere-se ao objetivo do líder norte-coreano Kim Jong-Un em proclamar tanto ódio contra seus opositores. É evidente a inferioridade militar de seu país em relação ao trio formado por Japão, EUA e Coreia do Sul. Qualquer estalinho lançado nestes territórios terá como retaliação contra-ataques das proporções dos que varreram do mapa Hiroshima e Nagasaki. Levar adiante um confronto tão irracional seria a assinatura de sua sentença de morte.
     Por isso, todo este terror soa como uma paranoia disseminada. Trata-se da necessidade do líder comunista em firmar-se no poder. Kim Jong-Un assumiu o poder após o falecimento da grande figura política do país, o seu pai Kim Jong-Il. A aparente falta de personalidade do sucessor faz com que ele seja extremamente doutrinado pelos seus aliados ortodoxos e avessos a qualquer possibilidade de abertura do regime.
    Em meio a tantas demonstrações de violência, a comunidade internacional deu um enorme passo na tentativa de contornar o cenário. A Organização das Nações Unidas aprovou, na terça-feira, resolução que impõe inúmeras restrições à comercialização de armas. A Coreia do Norte, além de Irã e Síria, votou contra a proposta. Esta atitude ratifica o preconceituoso, porém cada vez mais verídico, rótulo do país ser membro do "Eixo do mal". Admitir que George Bush estava certo é lamentável.

                                                            Mattheus Reis

domingo, 17 de março de 2013

Seu nome, seu destino

                                        O frisson de um tango no Vaticano

     Surpresa aliada ao ineditismo. O primeiro Papa jesuíta, latino-americano e intitulado de Francisco. Todas estes fatos proporcionaram o renascimento da esperança e do otimismo em torno da eleição do cardeal argentino Jorge Mario Bergollio. Seu semblante humilde, sereno e simpático contrasta com o luxo do Vaticano: um choque de realidade que a cúria romana precisa após as impactantes denúncias e afastamentos de clérigos supostamente envolvidos em escândalos sexuais.
     A eleição de Bergollio ratifica a necessidade da Igreja em reforçar sua presença em regiões menos assistidas e que registra grande perda de fiéis, como a América Latina, ainda palco de grandes injustiças sociais e econômicas, além de ser o berço das nações mais católicas do mundo: a brasileira e a mexicana.
     O caráter jesuíta do novo Pontífice reflete, a grosso modo, as tendências norteadoras de seu papado. Ao ter como fonte inspiradora o grande mártir São Francisco de Assis, Francisco intensificará a obra missionária aos pobres e perseguidos, buscará a promoção dos direitos humanos principalmente em países onde o catolicismo é alvo de preconceitos abertos, como a China, e tentará manter o principal legado de seu antecessor, Bento XVI: o ecumenismo, fundamentado na aproximação com outras religiões, sobretudo o islã. A unidade é a palavra de ordem.
      A concretização desses objetivos garantiria acima de tudo um mundo mais fraterno em um século marcado por constantes desavenças e instabilidades. Desde o 11 de Setembro até a guerra civil na Síria, atravessando as invasões ao Iraque e Afeganistão e a crise do Euro.
     Mesmo intensas e abrangentes, as pressões da sociedade não devem alterar o caráter tímido das transformações a serem feitas na ideologia da Igreja acerca de temas polêmicos. A união homoafetiva, o uso de métodos contraceptivos e as pesquisas com células-tronco são temas abordados de forma cética e ortodoxa. O que, porém, não impede que certas liberalizações sejam estabelecidas, de acordo com os princípios do Concílio do Vaticano II. "Foram achar no fim do mundo, talvez, uma voz de mudança".
     Nunca antes o Brasil teve tantas possibilidades de ter um cardeal no comando da instituição mais sólida da história ocidental. A influência de Dom Odilo Scherer e a realização da Jornada Mundial da Juventude no Rio de janeiro, este ano, o colocou como um dos favoritos ao posto. Entretanto a figura de Francisco é mais coerente com a postura na qual a Igreja pretende adotar para se reerguer e estar mais presente com seus seguidores. A escolha foi correta. Conforme disse a presidenta Dilma Rousseff, se o Papa é argentino, Deus é brasileiro. A rivalidade existe até nos céus. É uma pena que não tenhamos um Messi jogando no nosso lado.
     
 
*Leia mais sobre a eleição de Francisco como o novo líder da Igreja Católica!                      
 
 
                                                                       Mattheus Reis

sexta-feira, 8 de março de 2013

O último Libertador

                               O primeiro e último Chavista
 
      Na última terça-feira, a Venezuela amargou a perda do seu líder mais carismático. Órfã, a nação venezuelana está desamparada em um de seus momentos mais delicados, de grave crise financeira e explosão da violência urbana. Hugo Chávez quebrou o reinado de longa data das elites no poder para instaurar o seu, disfarçado de ares democráticos, que foi parado pelo câncer: o único adversário que o derrotou.
    Sua chegada à presidência marcou o início de uma intensa perseguição ao imperialismo econômico promovido pelos EUA na América Latina, alimentando o sentimento yankeefóbico em suas ideologias. Entretanto, sempre foi fã do baseball e exportou milhões de barris de petróleo para os norte-americanos. Pragmatismo ou reconhecimento de inferioridade?
     O grande mérito de sua gestão foi a retirada de milhões da pobreza extrema. Por mais clientelista que seja este programa assistencialista, garantiu desse modo três reeleições. Típico retrato da profunda frustração dos eleitores com os seus representantes interessados nos benefícios, e não nos deveres que o poder político acarreta. Chavez, assim representava a vingança dos oprimidos. Tal programa, míope, culminaria no caos econômico a partir dos anos 2010.  Entretanto, os votos eram imprescindíveis. A Revolução Bolivariana não podia parar e o povo estava feliz.
    A dependência extrema do petróleo, os elevados gastos com medidas assistencialistas e estatizações levaram o país a constantes blecautes energéticos, deficiências em infraestrutura, bem como desabastecimentos de alimentos e desenfreada inflação.
     Seu plano de governo contou com mentores emblemáticos da história latino-americana: Simón Bolívar, Fidel Castro e Vargas, por que não? A Venezuela teve um “pai dos pobres”. Além disso, o Chavismo consolidou-se como modelo político de exportação na região. Evo Morales e Rafael Correa são seus principais discípulos.
     Paradoxalmente, o Chavismo, mesmo que prevaleça através de violações constitucionais e vitórias eleitorais, está ameaçado. Esse é o preço a ser pago por um regime exacerbadamente personalista. A figura do comandante torna-se insubstituível. Embora Nicolás Maduro seja o favorito contra Henrique Caprilles no pleito a ser convocado, jamais poderá ser comparado ao antecessor e terá como carma a herança maldita de anos marcados pelo autoritarismo e imprudência na administração econômica. Para gerenciar o Chavismo, só Chávez e suas hábeis e geniais manobras. Nisso, ninguém era melhor do que Ele, aquele que foi capaz de colocar Deus em segundo plano na Venezuela.
 
* Veja as frases mais polêmicas e engraçadas de Hugo Chávez na Presidência Venezuelana.

* Veja um infográfico da historia de Chávez como líder Bolivariano.
http://oglobo.globo.com/mundo/algumas-das-frases-mais-polemicas-da-lingua-afiada-de-hugo-chavez-7750718


                                                  Mattheus Reis

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Torneio de bárbaros

                                    Fatalidades não podem ser evitadas

    Em 2013, o esporte foi o tema mais abordado e discutido neste blog até agora. Devido às circunstâncias, todos os posts relacionados não abordam conquistas e recordes A magnitude da tragédia ocorrida no jogo entre Corinthians e San José, na cidade boliviana de Oruro, comprova mais uma vez os precários níveis de organização e de segurança dos campeonatos sul-americanos. A torcida fiel oscila entre a glória e o fundo do poço; Aquela que apoia em massa o time, no Japão e comete uma barbárie de grandes proporções.
     A morte do jovem Kevin Espada é um incidente longe de ser uma fatalidade. Por inúmeras vezes, a imprensa alertou e denunciou a volatilidade das torcidas e das partidas em torneios como a Libertadores da América. Problemas tratados, na maioria das ocasiões, de forma conivente pelas autoridades locais e do futebol. Não há a cultura de punições no futebol das Américas e isso, consequentemente, transforma-se em um passe livre para a repetição de tragédias do tipo. Uma morte; poderiam ser 100; a gravidade seria a mesma.
     Dentro desse cenário de tradicional omissão, o veto à torcida corinthiana aos jogos do time na competição é muito melhor do que nada, porém é uma medida muito paliativa, pouco conscientizadora, além de não ser justa por completo. O clube San José deveria ser punido, por ser o mandante da partida. A Federação Boliviana, da mesma forma, por ser a organizadora da partida e ter comprovado sua incapacidade para realizar tal tarefa. E a Confederação Sul-americana de Futebol por autorizar a entrada de instrumentos que provoquem ferimentos, como sinalizadores.
     A Libertadores é uma das competições mais disputadas no campo. O embate deve se resumir aos gramados. O recado é valido também para o Brasil, que às vésperas da Copa do mundo não pode ignorar o principal legado do evento: a consolidação de uma cultura de paz no futebol, fundamentada pela segurança dos estádios e pela educação dos torcedores.
    Sempre frequentei estádios com um misto de temor e tensão devido à violência. Os palcos do esporte mais popular e fascinante do mundo não podem se converter em verdadeiros calabouços onde as derramas de sangue sejam comuns e encaradas como meras fatalidades.
                                                               
                                                                    Mattheus Reis

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Uma luz que se apagou

                                     Era uma vez um rei
                    
    Ele tinha uma nação inteira como súdita. Para os sul-africanos, acima dele somente a figura singela, mas praticamente super-humana, do "Madiba" Nelson Mandela. Menos de um ano depois de seu apogeu, Oscar Pistorius está vendo seu sucesso e suas conquistas ruírem na mesma velocidade do tiro disparado que matou sua namorada e que deixará ferida, para sempre, a África do Sul.
    O supercampeão paralímpico comoveu o mundo, em julho de 2012, ao participar com atletas sem deficiência das provas de atletismo dos Jogos Olímpicos de Londres. Suas próteses de fibra de carbono reverteram um cético tabu: aqueles que afirmavam sua incapacidade em competir em alto nível passaram a cogitar prováveis vantagens obtidas pelo uso das próteses. Além de recordes, Oscar derrubou a desconfiança.
    O.J. Simpson, Tiger Woods, Bruno. Acusado formalmente por homicídio premeditado, Oscar Pistorius, tão quanto estes outros atletas mencionados, denigre sua carreira profissional por envolvimento em escândalos pessoais ou em crimes. Casos sem relação íntima com o esporte, porém que possuem o agravante de envolver não somente a ética, como pessoas e vidas.
    O assassinato de Reeva Steenkamp soma-se a outras 2488 mortes de mulheres e 200 mil ocorrências de agressões, raptos e estupros registradas nos últimos 7 anos; uma triste realidade da África do Sul. Diante deste cenário de violência, não serão as milhares de armas espalhadas pelas residências sulafricanas a solucionarem o problema da alta incidência de crimes enfrentado pelo país.
    Os super-heróis do século XXI, quando não estão vestidos com suas capas, se transformam em vilões frios e calculistas? É uma tendência surgirem vários “coringas” dentro do mundo esportivo? Cada vez que um ídolo perde seu trono de glória, um jovem apaixonado por esportes perde uma referência. Eu perdi uma. Uma que tinha suas próteses tão idolatradas quanto as chuteiras de um grande craque do futebol.  

*Leia mais sobre assunto!
                                                                 
                                                                   Mattheus Reis

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O boom do Xisto

                                                    Herói ou vilão?
    Nos últimos anos, cresceu vertiginosamente a exploração de um recurso mineral não convencional. Para os que não sabem, o gás de xisto é a grande novidade energética da atualidade, cuja importância foi destacada pelo presidente americano Barack Obama, em seu discurso na posse de seu segundo mandato, podendo ser a solução para a autonomia das matrizes de inúmeros países.
     Brasil e Estados Unidos - donos de grandes reservas de xisto - estão apostando no novo recurso. Ambos buscam a menor dependência perante o petróleo de regiões como o Oriente Médio, marcado por instabilidades políticas que implicam diretamente no preço do combustível; algo já visto nas Crises do Petróleo durante a década de 1970.
     Além disso, os americanos visam, desse modo, a uma maior redução das emissões de gases do efeito estufa – promessa ainda não cumprida por Obama. O Brasil tenta aproveitar a oportunidade para aliviar a saturação da Petrobrás, que apresenta quedas na produção e registrou, em 2012 seu menor faturamento desde 2003.
     Se por um lado o gás de Xisto pode alavancar a economia de algumas nações, consequentemente, prejudicará os maiores produtores do brent, além de provocar um novo arranjo na geopolítica mundial a longo prazo. Os países árabes podem transformar um cenário de redução das exportações em maior dinamização da atividade econômica. Os conhecidos sheiks magnatas do petróleo não estariam sós no poder.
     Embora este momento de descoberta seja contagiante, a extração do recurso acarreta graves impactos ambientais, caso seja feita inadequadamente, já que envolve grandes quantidades de produtos químicos, o que coloca em risco lençóis freáticos e a biodiversidade local.
     Simultaneamente, o xisto trás consigo euforia e cautela. Uma provável solução alternativa ao uso da energia nuclear - em xeque desde o acidente de Fukushima no Japão. Entretanto, mesmo que em menores proporções, não deixa de ser um combustível poluente cujo fascínio imediato, por ser abundante e barato, pode cegar os chefes de estado, a ponto de retardarem o desenvolvimento de fontes limpas de energia. O início da corrida pela segunda independência, a energética, não deve ser um retrocesso, melancólico, da corrida para salvar a Terra.   

* Leia mais sobre o gás de Xisto!

                                                                Mattheus Reis

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

"Super" até no nome

                                             Muito além de uma partida
 
 O próximo dia 03 de fevereiro será de muitas emoções e expectativas para os fãs da bola oval. San Francisco 49ers e Baltimore Ravens disputarão o título da 47ª edição do Super Bowl na cidade de Nova Orleans. A final da liga nacional de futebol americano (NFL) não envolve apenas os dois melhores times em busca da glória. Ao contrário, o espetáculo, marcante no evento, em certos momentos, ofusca o convidado de honra desta festa americana: o esporte. 
    De fato, a decisão de Domingo levará a campo franquias que foram merecedoras de fazê-la.  Embora o esporte circunstancialmente não premie o melhor ou o mais dedicado, ambos são dignos de serem os finalistas. Um time que encanta com suas jogadas contra aquele marcado pela constância, pela presença frequente nos playoffs. San Francisco e Baltimore não podiam faltar, de maneira alguma, neste show.
    O Super Bowl será especial para uma família, especificamente. Os irmãos Jim e John Harbaugh – técnicos dos 49ers e dos Ravens, respectivamente - estarão em lados opostos. Somente um deles será coroado; motivo, entretanto que não tirará a felicidade da família Harbaugh. A genética, sem dúvida, estará em campo, já que as duas equipes possuem estratégias de jogo semelhantes. Mais um fator preponderante para o equilíbrio.
    A história dos Super Bowls desmente, em certas oportunidades, o favoritismo presente nas especulações pré-jogo. Entretanto, poucas ressalvas são feitas pela imprensa esportiva acerca da mínima vantagem exercida por San Francisco sobre Baltimore. Tal margem deve-se a magistral temporada do quarterback Colin Kaepernick. Os 49ers, agora, possuem “o ás para dar a cartada final” - e, desse modo, igualarem-se ao Pittsburgh Steelers, como o maior vencedor da história com 6 títulos - diferentemente da última temporada, quando a vaga para final ficou a um passo da concretização, após a derrota para o New York Giants na final da Conferência Nacional.
    Todavia, este fato não rebaixa o adversário a mero coadjuvante, muito menos a ponto de ser considerado um provável “azarão”. A vantagem servirá apenas de falso parâmetro para os insaciáveis apostadores, ainda mais quando os Ravens buscam proporcionar um fim de carreira glorioso à lenda do time: oscilando entre acusações criminais e grandes atuações, Ray lewis, o melhor defensor da história da NFL, se aposentará após a decisão.
    Cerca de R$ 8 milhões de reais pagos por 30 segundos de comerciais, o maior consumo de comida em um único dia no mundo, show da célebre cantora Beyoncé no intervalo: são algumas peculiaridades que circundam o campeonato mais valioso do mundo em seu dia de gala. Não é a toa que um evento tão grandioso tenha em seu nome a palavra “super”. Caso contrário, qual sentido teria?  

* Assista ao Super Bowl a partir das 20:30 Hs de domingo nos canais ESPN e Esporte Interativo!

                                                             Mattheus Reis