sábado, 24 de maio de 2014

Fim da espera

                                       A parte feliz de Madrid


     A vitória do Real Madrid sobre o rival Atlético de Madrid, hoje, em uma final inédita da Liga dos Campeões da Europa pôs fim a um longo jejum. Nunca dois times da mesma cidade tinham decidido um torneio tão importante. Depois de 12 anos, o time liderado por Cristiano Ronaldo voltou a conquistar um campeonato europeu em um jogo que após 92 minutos mudou de rumo devido a uma cabeçada potente. Este é o 10° título merengue da Liga.
     O argentino Simeone é, sem dúvida, o melhor técnico da temporada. Levou o Atlético de Madrid a um patamar excepcional no futebol europeu. No último sábado, sentiu a alegria de dar aos "Colchoneros" um campeonato nacional após 18 anos. Além desse título, conquistou, anteriormente, a Liga Europa e a Copa do Rei. Um time cirúrgico, paradoxalmente raçudo e frio, que não demonstra estar pressionado em momento algum. Derrotou gigantes como Milan (ITA), Barcelona (ESP) e Chelsea (ING). Neste sábado, a alegria não se repetiu por um acaso, ou melhor, por uma cabeçada certeira.
     Os Diegos do Atlético, fundamentais durante a temporada, contavam os segundos para a consagração máxima. Diego Godín - líder de um sistema defensivo quase intransponível - e Diego Costa e Diego Simeone, do banco de reservas, viram Sérgio Ramos adiar a festa. A prorrogação viria, mas nem tudo estava perdido, pensavam os "colchoneros". Muito menos definido.
     Faltou ar a um time sobrecarregado que lutou até aonde pôde. O que não aconteceu com o adversário Real Madrid já que possui jogadores reservas mais qualificados. E isso justifica os três gols sofridos no decorrer dos 30 minutos da prorrogação, que definiram a final. O dique havia se rompido. A cereja do bolo foi o pênalti convertido por Cristiano Ronaldo em Lisboa, sede da final, onde se projetou para o mundo do futebol quando atuava pelo Sporting. Simeone foi além do esperado e o Atlético de Madrid sempre estará em dívida com seu treinador. Ele deve continuar a frente do time, mas já é possível prever seu futuro como comandante da seleção de seu país. Pode acontecer em breve como também demorar certo tempo, porém é algo iminente.
     Jogar uma decisão pressionado não é fácil. O Real Madrid, tido por grande parte da imprensa como o favorito, estava nervoso, caçando a todo custo "a décima". Parecia que não seria o grande dia, mas foi o da consagração de um time muitas vezes ofuscado pelo talento fascinante do oponente Barcelona. A comemoração de Cristiano Ronaldo, ao marcar seu gol, comprovou a força de seu time. Apenas um lado da capital espanhola está em festa.

                                                                 Mattheus Reis

terça-feira, 13 de maio de 2014

Curto-circuito

                          Descompasso no setor elétrico

     Dados do Operador Nacional do Sistema elétrico indicam que o nível médio dos reservatórios de água utilizados na geração de energia pelas usinas hidrelétricas atingiu pela primeira vez um valor abaixo do registrado em 2001, ano em que ocorreu o maior apagão da história do país. Obras emergenciais para otimizar o aproveitamento desta pouca quantidade de água que resta estão sendo executadas, o que pode adiar um racionamento no momento. Essa crise é a materialização de um problema muito grave pelo qual o Brasil está enfrentando nesse setor.
     Nesse contexto, Dilma Rousseff autorizou o funcionamento a pleno vapor de todas as usinas termelétricas a fim de evitar um racionamento durante a Copa do Mundo. Isso, porém, aumenta os custos de geração de energia, que serão repassados para a população, conforme citou a presidente, em seu último pronunciamento na cadeia de rádio e tv. Ou seja, a conta de luz ficará mais cara nos próximos meses. Com a conta de luz mais cara, as famílias brasileiras tendem a poupar energia, reduzindo os riscos de apagão. Essa é uma estratégia de contingência adotada pelo governo federal. Daqui a seis meses, entretanto, a onda de calor voltará e obrigará todos a aumentarem o consumo de energia novamente. Essa crise, provavelmente, só se amenizará caso chova bastante no próximo verão e os níveis dos reservatórios se normalizem.
     O Brasil, desde quando sofreu seu último grande apagão, em 2001, cresceu economicamente e o programa "Brasil sem miséria", encabeçado pelo Bolsa Família, promoveu na última década a ascensão social de mais de 40 milhões de cidadãos, que elevaram não só a renda mas também o consumo de alimentos, eletrodomésticos e, principalmente, energia. Os investimentos no setor energético, ao longo dos últimos governos, não acompanharam essa transformação social pautada na ascensão da classe C, o que sobrecarregou a geração e a transmissão de energia elétrica no país. O atraso em obras de novas usinas hidrelétricas e eólicas bem como de linhas de transmissão de energia contribuem também para a situação ter chegado a tal ponto de preocupação.
     A energia no Brasil é oriunda em sua maior parte - cerca de 80% -  de usinas hidrelétricas. Somos, por isso, dependentes das chuvas que nutrem os rios essenciais para a obtenção da energia, logo para o desenvolvimento do país. O governo, em suas esferas de poder, ciente das mudanças climáticas pelas quais o planeta atravessa, sendo cada vez mais frequentes eventos extremos como secas, deveria estar preparado tanto para elaborar medidas que atenuassem os impactos do aquecimento global no Brasil  quanto projetos que ampliassem a oferta e o aproveitamento de energia e reduzissem a dependência da hidroeletricidade, como a expansão de usinas eólicas e solares, cujos potenciais de crescimento são enormes.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

"S" de saudade

                                                                         1°

    Há 20 anos, em um dia 1° de Maio, o tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna, ao se chocar com um muro a mais de 300 Km/h, na curva Tamburello, em Ímola, nos deixou. Em um grande prêmio que não deveria ter acontecido, outro piloto brasileiro, Rubens Barrichello, sofreu um gravíssimo acidente na sexta-feira durante os treinos livres e, no sábado, o austríaco Roland Ratzenberg não resistiu a outro grave acidente quando disputava o treino que definiria as posições do grid para a largada do dia seguinte. No dia da corrida, Senna, por mais abalado que estivesse, estava determinado a vencer o GP e, assim, homenagear o seu companheiro de profissão. Porém, não foi isso o que aconteceu...  
     Senna possuía uma ambiguidade explicada somente pela sua paixão pela velocidade. Cada vez que um grave acidente acontecia na Fórmula 1, ele sempre parava, por um segundo que fosse, para repensar se correr a mais de 300 Km/h pelos circuitos do mundo em carros muito menos seguros que os de hoje valia a pena. Entretanto, essa dúvida era passageira. Chegava e ia embora na mesma velocidade em que ele rasgava o asfalto. Logo depois, Senna estava dentro de seu cockpit fazendo de tudo para ser milésimos de segundo mais rápido. Não há como lutar contra o destino. A Fórmula 1 sempre foi muito rápida e dinâmica. Parar, por um segundo, para pensar sobre certas "bobagens" era estar um segundo atrás de Prost, Mansell e outros. Na Fórmula 1, um segundo equivale a um ano-luz. Não há tempo a perder.
     Senna surgiu para os brasileiros em um momento muito difícil para o país, marcado no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990 pelas crises social e econômica. Ouviam-se promessas de que "o tigre da inflação seria abatido com apenas um tiro". Senna cumpria aquilo que prometia. Antes de estrear na Fórmula 1, disse a Galvão Bueno que o narrador seria o porta-voz de suas vitórias, que aconteceram de fato. Se, por um lado, não estávamos à altura de França, EUA e Inglaterra em termos de desenvolvimento, o fato do Brasil ter um piloto mais rápido que os da França, Alemanha e Inglaterra serviu de alento para nós, desacreditados em quase tudo,  naqueles anos turbulentos. Senna, ao demonstrar o seu patriotismo a cada vitória, em um momento em que sua pátria estava 10 metros abaixo do fundo do poço, conquistava os brasileiros, que fizeram dele um herói.
     A matemática diz que 7 é maior que 3. Todavia a história da Fórmula 1 pode contestar a frieza dos números. A comparação entre o tricampeão Senna e o heptacampeão mundial Michael Schumacher tem sido inevitável nos últimos anos. Porém, o fato de Schumacher declarar-se fã do brasileiro parece por um ponto final em qualquer dúvida. Ultrapassar 10 pilotos e chegar à liderança de uma corrida na primeira volta, vencer o Grande Prêmio do Brasil, em 1991, com apenas uma marcha funcionando corretamente, além de enfrentar de igual para igual a geração de pilotos tida por muitos como a mais talentosa da história são façanhas dignas de apenas um gênio. Neste caso, sou obrigado a cometer uma heresia: 7 < 3. Os matemáticos que me desculpem.
     Senna viveu em um ambiente cercado por politicagens e interesses. Ele, em alguns momentos, errou, como todo ser-humano, e deixou a competição e os interesses pessoais ultrapassarem o espírito esportivo. São detalhes de uma carreira notória, excepcional, mas, ao mesmo tempo, breve do maior ídolo do esporte brasileiro. Hoje, o Brasil - às vésperas de sediar sua segunda Copa do Mundo - é o país do futebol. Foi e sempre será. Mas, há 20 anos, era também o país da Fórmula 1, onde assistir à corrida nas manhãs de domingo era um ritual tão sagrado quanto assistir a um jogo da seleção em Copa do Mundo. Vejo as corridas desde os 6 anos de idade, mas lamento, assim como tantos outros jovens, não ter testemunhado as ultrapassagens, as vitórias e os títulos de Ayrton Senna do Brasil.     

                                                         
*Leia mais sobre os 20 anos do adeus de Senna!
http://veja.abril.com.br/reportagens-especiais/20-anos-sem-ayrton-senna/
http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/senna-para-sempre/noticia/2014/04/brasil-na-cabeca-e-nas-maos-senna-elevou-autoestima-de-uma-nacao.html
http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,apos-20-anos-ayrton-senna-deixa-legado-em-seguranca-para-formula-1,1158768,0.htm


                                                       Mattheus Reis

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Terceira via

                                             Projeto a longo prazo


     Na última terça-feira, foi lançada em Brasília a candidatura à presidência do Brasil do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. Há pouco tempo inimaginável, a aliança de Campos com a ex-senadora Marina Silva - ela será sua vice - fortalece a chapa do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que almeja levar a corrida ao Planalto para o segundo turno apesar de o cenário atual não ser favorável para que isso aconteça. 
     Marina Silva desejava uma candidatura própria através da formação do partido "Rede Sustentabilidade", do qual seria a presidente. Entretanto, a legalização da "Rede" foi vetada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devido à um número insuficiente de apoiadores. Marina impediu que Dilma Rousseff, em 2010, vencesse as eleições presidenciais no primeiro turno. Enfrentou o apoio mais que influente de Lula à candidatura de Dilma e "roubou" votos da atual presidente. Teorias da conspiração, que não podem ser totalmente ignoradas, associam a manobra do TSE a uma estratégia do governo em impedir que essa situação ocorresse novamente nas eleições de 2014. Sem a candidatura própria de Marina, o governo de Dilma possui grandes chances de se reeleger no primeiro turno.
     Antes da união de Campos com Marina, o ex-governador de Pernambuco oscilava em torno de 7% a 10% das intenções de votos. Agora, o PSB torce para que os seguidores de Marina o apoiem, em uma "transferência de votos" e, assim, suba nas intenções de votos para fazer frente à chapa de Dilma já que Aécio Neves não desponta aparentemente como um grande concorrente embora esteja em segundo lugar nas pesquisas. Não avança dos 15% dos votos e a desconfiança no seu partido, o PSDB, por parte dos eleitores, que vem desde o governo de FHC, atrapalha o desempenho do ex-governador de Minas Gerais.
     Grande parte da população começa a demonstrar certa insatisfação com a bipolarização da disputa presidencial no país, centrada há pelo menos 15 anos entre PT e PSDB. Pode-se comprovar isso através dos significativos índices de desaprovação do governo Dilma e de rejeição a Aécio Neves. Essa é a aposta da dupla "Campos e Marina". Ser um caminho alternativo. Provavelmente, nessa próxima eleição, será muito difícil desconstruir essa bipolarização política, pois, nem que seja em um eventual segundo turno, a reeleição de Dilma Rousseff é praticamente certa de se concretizar. Entretanto, para 2018, quando o PT deverá indicar outro nome à sucessão, e esta será uma tarefa difícil desde que Lula não volte aos palanques, o PSB com, Eduardo Campos e Marina Silva, se tornará mais forte, porque já estará presente no cenário político nacional devido à participação nas eleições de 2014. Eduardo Campos ainda é pouco conhecido entre os brasileiros. 

*Leia mais sobre o tema!

                                                    Mattheus Reis

terça-feira, 1 de abril de 2014

Fantasma eterno?

                                                          O chumbo  




      No dia 31 de Março de 1964, iniciava-se o Regime Militar brasileiro. Durante 21 anos, 5 generais-presidentes conduziram o país e buscaram conciliar o caos e o progresso. Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo impediram que a luz penetrasse num céu tomado de chumbo, que hoje está mais limpo, porém que ainda não está completamente descontaminado.
       Os militares quando depuseram João Goulart, anunciaram novamente o caráter salvacionista de sua missão. De fato, o país estava abalado econômica e socialmente, porém não tão desigual como ficou durante a ditadura. Somente agora, na década de 2010, voltamos a reduzir a desigualdade social e a concentração de renda a níveis anteriores à chegada dos militares ao poder, algo que não pode ser tão comemorado, pois o Brasil continua a ser um país de facetas sociais mais que antagônicas.
       A conjuntura da Guerra Fria radicalizou a crise que o país enfrentava no início dos anos 1960 e consideráveis parcelas das classes sociais e de setores da economia apoiaram o golpe, acreditando que ele seria temporário e necessário para restabelecer a ordem social. Mas o novo regime não era, na visão dos militares radicais, um governo provisório. Esse foi o primeiro indício do que estaria por vir. A ficha caiu quando o AI-5 já estava decretado.
       As torturas eram substituídas, nas manchetes dos meios de comunicação, pelas obras faraônicas e pelo altíssimo crescimento econômico, construído sobre um banco de areia. Isso criou uma legião de defensores da ditadura, que argumentavam ser esse período muito próspero. O banco de areia se desfez nos anos 1980 e a prosperidade também. Surge o medo da inflação, que assusta os brasileiros até hoje.
       O pior legado dos anos de chumbo se materializou em 1989 quando, após 25 anos sem votar em uma eleição presidencial, o povo brasileiro elegeu um "Caçador de Marajás". O impeachment de Collor foi uma grande tragédia da política e da democracia brasileiras, porque comprovou que censuraram também o senso político do cidadão brasileiro.
       Entretanto, é necessário ressaltar que, nesse teatro de horrores, não houve um lado certo. Hoje, sabemos que a possibilidade de uma "Revolução" era tão improvável quanto inadequada. Ao pegar em armas, a esquerda se igualou aos militares, na defesa de um sistema político, econômico e social que pode ser tão cruel quanto o capitalismo. O fim da Guerra Fria mostrou que o capitalismo é o único caminho a ser trilhado na atualidade e que a receita para um mundo melhor é torná-lo o menos desigual possível.      
       Nestes primeiros meses de 2014, atos favoráveis ao Regime Militar como a reedição da "Marcha da família com  Deus pela liberdade" mostram a persistência desse fantasma e que os ares do Brasil ainda estão contaminados por chumbo. Nem as confissões e os depoimentos assustadores de torturadores e integrantes dos órgãos de repressão da época relatados às Comissões da Verdade, parecem convencer seus defensores. O chumbo demora cerca de 325 anos para se decompor completamente em algumas partes do corpo humano. O apoio à volta de uma Ditadura Militar no Brasil não pode durar nem 1% desse tempo.


*Veja imagens marcantes do período militar brasileiro!
http://educacao.uol.com.br/album/ditadura-45-anos_album.htm


                                                      Mattheus Reis

















terça-feira, 18 de março de 2014

Putin contra todos

                                                    Ele não tem medo.




   O presidente da Rússia, Vladimir Putin, é, acima de tudo, um visionário. Empenhou esforços pessoais para sediar a Copa do Mundo da FIFA, em 2018, e os Jogos Olímpicos de Inverno na cidade de Sochi, sua nova joia a ser ostentada para o mundo. Fala contundentemente na reconstrução de um "Império Russo". O "Czar do século XXI" parece não ter medo das possíveis consequências resultantes de seus atos desafiantes. Hoje, concretizou mais uma de suas idealizações.
      O Parlamento da Crimeia, uma região autônoma da Ucrânia onde a maioria da população possui origens étnicas russas, aprovou a realização de um referendo com o objetivo de proclamar a província independente e, o mais surpreendente, propor sua anexação ao território russo.  As duas propostas foram aceitas por 97% da população da Crimeia no último domingo.
      Tais atitudes são decorrentes da crise que paira sobre a Ucrânia. O governo de Viktor Yanukovic, aliado a Putin, foi deposto após uma série de protestos que durou um mês, pois não assinou um acordo com a União Europeia para uma futura adesão do país ao bloco, o que provavelmente beneficiaria e dinamizaria a sua economia, em crise. Putin ameaçou um corte no fornecimento de gás natural, essencial ao país, caso este acordo fosse concretizado. 
      A saída de Yanukovic e a consequente ascensão de um governo opositor a Putin foram um duro golpe para o presidente russo, que se aproveita das disparidades socioeconômicas entre as ex-repúblicas soviéticas para submetê-las ao seu poder.
      O ex-agente da KGB, o serviço secreto soviético, revidou com a articulação para incorporar a Crimeia ao território russo, que foi oficializada com um discurso de Putin e com a assinatura de um tratado hoje na Duma.
      A incorporação é vista como ilegal por países europeus e pelos EUA. Medidas como o cancelamento da reunião do G-8, em Sochi, e a paralisação das negociações para o ingresso da Rússia na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o "Clube dos ricos", já foram anunciadas. Nada que amedronte um Putin irredutível. De fato, sanções e punições são brandas e costumam ser ineficazes, mas é o que pode ser feito neste momento. Sem desmerecer o povo e a cultura da Crimeia, travar uma guerra com uma potência nuclear como a Rússia por um minúsculo pedaço de terra é algo insensato. Voltaríamos à paranóica Guerra Fria. Enquanto isso, o "Czar" manda e desmanda.
       A anexação da Crimeia levanta temores de que Putin esteja elaborando futuras invasões a outros territórios que pertenceram à União Soviética - o que já aconteceu, na Geórgia - sob justificativa de defender os direitos dos povos russos. O presidente russo utiliza o mesmo argumento que Hitler explorou quando anexou a Áustria e os Sudetos ao Império alemão no período entre guerras a fim de proteger os germânicos naqueles locais. É lógico que Putin não é uma reencarnação de Hitler, porém ambos possuem uma característica em comum: a busca incessante por poder.

                                                                Mattheus Reis

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Chegadas e partidas

                                                           Recomeço


    
     Como o ano de 2014 será marcado pelo esporte, sobretudo pelas emoções da "Copa das Copas" no Brasil, a primeira postagem do ano não poderia estar relacionada a outro assunto. Cristiano Ronaldo foi eleito pela segunda vez o melhor jogador do mundo, relegando seus adversários na disputa, Lionel Messi e Franck Ribery, a segundo plano. O craque português vem para tremer os gramados brasileiros daqui a alguns meses.
     Cristiano Ronaldo fez uma temporada brilhante como estrela do Real Madrid (ESP), neste ano, assim como nos anos anteriores. Em 2013, ele marcou um gol a cada 76 minutos de bola rolando, uma média superior a um gol por partida. Entretanto, o título de melhor jogador do mundo só foi conquistado agora. Messi não concedeu oportunidades nos anos anteriores para que o craque português brilhasse mais. Por conta de uma série de lesões, o argentino não pôde mostrar em campo todo o seu potencial técnico sobrenatural e alucinante.
     Não se pode afirmar, todavia, que Messi seria o vencedor da disputa caso estivesse em plena forma. A "sombra" de Messi aproveitou. O desempenho de Cristiano Ronaldo nos dois jogos contra a Suécia, na repescagem para a Copa do Mundo de 2014, apenas confirmou o seu favoritismo na  eleição da FIFA. Ali, decidiu-se tudo. Era dele. 
     Em 2008, na primeira vez em que se consagrou como o craque da temporada, lembro da primeira frase dita por Cristiano Ronaldo em seu discurso de agradecimento: "Agora, pode soltar os fogos de artifício". Desta vez, sua postura foi completamente diferente, o que revela um grande amadurecimento e uma maior modéstia. Ele, talvez, não esperava que fosse tão difícil repetir o feito de 2008, não esperava que Messi ocuparia seu posto por tanto tempo. Emocionado, ele mostrou uma postura perante à família do futebol que vem a confirmar os relatos de seus companheiros de time, que afirmam que toda a sua marra restringe-se aos gramados.
     Este pode ser um momento de renascimento para o futebol português: ao mesmo tempo em que perde o grande ídolo Eusébio, vê a confirmação de Cristiano Ronaldo como um dos nomes que integrarão a galeria dos grandes futebolistas da história. Se ele igualará ou superará Eusébio, não se sabe, mas ele será o grande ídolo do futebol português de agora em diante. O "rei" passou a coroa para o "príncipe".


                            
                                                                   Mattheus Reis