sábado, 30 de junho de 2012

Parece que foi ontem

                                                   Volta por cima

No dia 30 de junho, há exatamente 10 anos, o futebol brasileiro conquistava o seu quinto título da Copa do Mundo FIFA na Coreia do Sul e Japão. As madrugadas nunca foram tão tensas e emocionantes, embaladas pela paixão nacional por uma seleção que chegou à disputa desacreditada, que havia conquistado a sua classificação na repescagem, porém que cresceu durante o torneio e venceu a Alemanha pelo placar de 2x0 na finalíssima.
   Convém frisar que nas últimas edições de Copa do Mundo, a de 2002 foi a mais atípica. Gigantes do futebol foram eliminados sequencialmente, possibilitando a ascensão de surpresas. A França, tida como favorita - campeã mundial em 1998 e da Eurocopa em 2000 - decepcionou a todos ao ser desclassificada prematuramente na fase de grupos sem marcar um gol sequer. Uma típica revanche pelo  fracasso brasileiro em 1998. Ao mesmo tempo, sorte e competência caminhavam juntas com a seleção.
   Inglaterra e Alemanha foram os adversários mais imponentes da trajetória brasileira, embora as partidas contra Bélgica e Turquia nas oitavas-de-final e estreia, respectivamente tenham sido as mais dramáticas. Quem poderia afirmar que Turquia e Coreia do Sul decidiriam o 3° lugar da competição. Talvez somente os deuses do futebol saibam o motivo pelo qual a seleção turca nunca mais conseguira a classificação para disputar a Copa do Mundo. Simples lampejo, e dos raros.
   Só de olhar para sua fisionomia, muitas crianças se assustavam. O alemão Oliver Kahn foi sem dúvida o melhor goleiro da competição, embora Marcos com suas excepcionais atuações não tenha ficado atrás. Somente não foi o destaque porque um camisa n°9 que mais uma vez se superou  tornando-se o herói do título. A letra "R" estava na moda. A dupla Ronaldo e Rivaldo foi sinônimo de superação. Ambos corriam o risco de serem cortados por lesões no joelho e impressionaram a todos pelo futebol jogado em alto nível. E na equipe ainda jogava Ronaldinho Gáucho. Aquele gol de falta contra os ingleses, ele cruzou ou chutou a gol? Como eu queria saber a resposta.  
   A grande muralha, Kahn, um dia antes da decisão, havia sido condecorado com o prêmio de melhor jogador da Copa. Escolha injusta. No dia seguinte a muralha foi derrubada duas vezes e o erro foi reparado com a escolha do melhor jogador do mundo. A menos de dois anos para o início do mundial no Brasil será necessário muito empenho desta seleção para que a tão cobiçada taça volte para casa. Não há como comparar a seleção de atual com a de 2002. Neymar e Ganso que me desculpem

*Veja os melhores momentos do jogo do penta!                                                             


                                                                    Mattheus Reis

  


terça-feira, 19 de junho de 2012

Meio Ambiente em foco

                                                O Rio não é só turismo

Iniciada na semana passada, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Social Rio+20 vive seu período mais decisivo a partir desta terça-feira (19), quando os principais chefes de estado do planeta tentarão convergir sobre o modelo mais rentável que concilie o crescimento com a menor degradação ambiental possível.   
   A realização da Conferência se traduz como um momento ímpar para o Brasil, devido a sua liderança nas negociações a fim de impor suas pretensões e objetivos frente a países caracterizados tradicionalmente por não priorizarem a questão ambiental, a exemplo de EUA, Rússia e China. Tal importância se intensifica pela tentativa de recuperação do posto principal no desenvolvimento de biocombustíveis.
  Caso obtenha sucesso, a Rio+20 fugirá do inértil padrão das últimas reuniões sobre mudanças climáticas - realizadas em Davos, na Suíça e na cidade de Durban, na África do Sul, em 2009 e 2011, respectivamente. A missão é complexa pois, simultaneamente acontece a Cúpula do G-20, no México. O dinheiro fala mais alto, principalmente em tempos de crise, podendo dispersar as atenções e necessidades exigidas pela conferência ambiental.
  A economia verde, defendida por especialistas não se resume somente a inovação em tecnologias que reduzam o impacto ambiental. A construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia é indispensável para a ampliação da matriz energética brasileira. Todavia, a ausência de uma análise criteriosa acerca dos impactos sociais sofridos por comunidades locais equivale-se aos prejuízos acarretados com fontes de energia poluentes. Estes povoados sobrevivem da subsistência que seria completamente desarticulada com a execução do projeto. 
  O aquecimento global e suas consequências não evidencia-se como um fenômeno recente, embora os líderes mundiais minimizem-no através de atitudes passivas. A Eco-92 foi um exemplo de cooperação e sintonia, o que implicou no estabelecimento concreto de metas para redução das emissões de gases poluentes. Vinte anos depois, a Rio+20 tem o compromisso de ratificar a preservação do meio-ambiente e a função dos lideres mundiais de conduzirem esse processo transformador, não limitando a vinda ao Brasil a uma mera visitação turística.    


*Leia mais sobre a Rio+20 !
http://oglobo.globo.com/infograficos/mapas-distorcidos/#conservacao
http://oglobo.globo.com/rio20/o-poder-esta-nas-redes-sociais-diz-vandana-shiva-5175582

                                                          Mattheus Reis

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vitória da superação

                                               
                                                  Aonde erramos?


A heroica classificação do Chelsea diante do Barcelona - em um Camp Nou lotado - abalou as estruturas do clube catalão. A ausência de títulos na temporada, pelo incrível que pareça, instaura uma crise semelhante às que equipes brasileiras atravessam. Nunca três derrotas soaram com uma intensidade tão assustadora. Porém, questionar a superioridade e reputação do Barcelona é ,no mínimo, precipitado.
  
  O Real Madrid, que praticamente se consagrou como o campeão do Campeonato Espanhol, também sofreu um duro golpe com a eliminação da Liga dos Campeões para o Bayern de Munique (ALE). Disputando a final, em casa, contra o Chelsea, a equipe alemã tem grandes chances de vencer o torneio.
   É inaceitável o torcedor criticar Lionel Messi, pelo pênalti perdido na terça-feira e acusá-lo de "amarelar" nas decisões. Esta atribuição deveria ser feita a Cristiano Ronaldo, que embora tenha marcado dois gols no duelo contra o Bayern, cobrou pessimamente uma das penalidades na série. O filme da final da Liga dos Campeões de 2008 se repete, quando o craque português - atuando pelo Manchester United - marcou um gol sobre o mesmo Chelsea, entretanto desperdiçou outro pênalti. Por sorte os "Red Devils" conquistaram a Europa e posteriormente o mundo, naquele ano.
   Caso houvesse uma decisão do 3° lugar, assim como na Copa do Mundo, Barcelona e Real Madrid disputariam um jogo mais atraente do que a própria final.
   Não existe outra estratégia de triunfar sobre Barcelona a não ser aquela que imponha uma rígida marcação, oportunismo nos contra-ataques e um pouco de sorte. Às vezes nem isso funciona...
   Como já noticiado pela imprensa, com contrato próximo do fim (30 de Junho), o técnico Pep Guardiola encerra seu ciclo na equipe. O comandante tão vitorioso, talvez tenha se equivocado ao transmitir confiança demais ao afirmar que chegaria a final, sem dúvida. Foi vítima direta da "crise".
   Se o Barcelona equivocou-se ao considerar que poderia definir a partida a qualquer momento faltou o aviso de que independentemente do time, onze atletas buscarão ao máximo a superação; os do Chelsea conseguiram. E, nós, meros admiradores do futebol erramos porque achávamos que o melhor time do mundo era imbatível.
       "O futebol é imbatível porque nenhum time é imbatível."  (Mauro Beting)


*Leia mais sobre a desclassificação do Barcelona nas semi-finais da Liga dos Campeões da Europa!
http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-espanhol/noticia/2012/04/senhor-barca-pep-guardiola-colheu-titulos-recordes-e-poucas-frustracoes.html

                                             Mattheus Reis

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Lição não aprendida

Voo de galinha

No último final de semana, em Nova Delhi, capital da Índia, encerrou-se a cúpula que reuniu os líderes dos países membros do BRICS, bloco mais ascendente da atualidade. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul analisaram futuras tendências contando com a redução da influência da União Européia, em consequência da recessão, e medidas que vislumbram a promoção do grupo na comunidade internacional.   
  
   Uma destas medidas refere-se a criação de uma instituição financeira de suporte aos BRICS. A presença de um banco que promova o desenvolvimento do bloco - assim como o BNDES - é benéfica desde que as economias destes países atinjam considerável grau de estabilidade. Meta ainda não consolidada.
   Cada vez mais o Brasil depende econômica e comercialmente de parceiros emergentes, como a China. A busca de novas alternativas rentáveis é uma rota de fuga da austeridade e dos impactos decorrentes da crise do euro. Porém, o Brasil comete pela segunda vez o mesmo erro. No período das oligarquias, a necessidade de exportação do café e outros produtos para os E.U.A. e outros países - como forma de manutenção de um superávit econômico - assentou a economia em uma situação volátil. Quando a Crise de 1929 estourou...  
   Atualmente a produção agrícola objetivando a demanda interna continua desestimulada pelo governo com o agravante da desleal concorrência da entrada maciça de produtos e investimentos chineses, impedindo a expansão da atividade industrial nacional.     
   Por mais excepcional que seja seu alto e constante crescimento, em média 9% nas últimas 3 décadas, a China será obrigada e adequar sua estrutura financeira ao posto de 2ª maior economia mundial. Caso isso não ocorra, a especulação levará para o fundo do poço o país e quem depende dele.
   O momento favorável em relação ao contexto mundial concede ao BRICS o direito de exigir maior representatividade em órgãos como a ONU e o FMI. Entretanto, medidas precipitadas que culminem em um retardo do crescimento comprometem o audacioso plano de hegemonia política do bloco.   

* Leia mais sobre a reunião dos BRICS na Índia.

                                                  Mattheus Reis

sexta-feira, 23 de março de 2012

Antigos Fantasmas

                          O desenvolvimento é relativo

   O ataque sobre estudantes judeus, em uma escola na cidade francesa de Toulouse, na última segunda-feira reforça o conceito de extremismo cultural existente na sociedade européia. Este eurocentrismo advém dos períodos mercantilistas, traduzindo-se na superioridade destes povos.
   O debate acerca do multiculturalismo alcançou os patamares políticos e econômicos, tornando-se um dos principais temas da campanha presidencialista na França, país que mais sofre os efeitos da imigração. A manifestação concreta de repúdio dos candidatos à presença em grande escala de estrangeiros, que segundo o governo contribuem para o aumento das desigualdades, tem como justificativa a crise da zona do euro. Independentemente disso há a caracterização deliberada de um neologismo xenófobo.
   Entretanto, os imigrantes possuem função determinante na movimentação da economia pois, ocupam postos básicos de trabalho, não desejáveis a nação européia, que se considera "evoluida demais" para realizar tais tarefas. Logo, caberia ao governo promover uma melhor qualidade de vida àqueles. Aonde estão os ideais de igualdade presentes na "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão" elaborada na  Revolução Francesa? Talvez tenham se evaporado no perfumado ar francês 
   A Europa de maneira geral é comparável a um velho porão mal assombrado. Quando tragédias relacionadas ao extremismo e xenofobia ocorrem - o ataque a um grupo de partidários na Noruega, em 2011 é um exemplo recente - os antigos fantasmas remetentes ao nazismo de Hitler e de outros períodos deploráveis da história ressurgem e assombram a população.Um trauma do qual a Europa não se liberta.
   Em algumas ocasiões o conceito de desenvolvimento é questionável. A recessão econômica é preocupante, porém não retirará a Europa e muito menos os EUA do poder a curto/médio prazo. É uma pena que todo o poder e desenvolvimento existente na Europa não tenha sido acompanhado pelo europeu, que apresentando este tipo de comportamento discriminatório se aproxima do subdesenvolvimento.

* Leia mais sobre o extremismo na França!
http://oglobo.globo.com/mundo/franca-tem-tradicao-de-extremismo-diz-analista-4369615                                         

                                                                 Mattheus Reis      

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ninguém é eterno

                                           As duas Guantánamos

A base militar de Guantánamo, em Cuba, é conhecida e temida pelas supostas violações aos direitos humanos sofridas pelos seus detentos. É difícil imaginar algo pior do que a tortura de um ser humano - independentemente das injúrias cometidas - em um complexo penitenciário fechado e isolado. O governo sírio se orgulha ao esbravejar para o mundo inteiro ouvir a manutenção de uma população inteira sob cárcere-privado. 

   Não é utopia. Esse raciocínio possui fundamentos. Desde o ano passado a grande parte da população síria protesta a favor da renúncia do presidente Bashaar al-Assad e consequentemente por mudanças políticas. A situação é caótica, de se alcançar o ponto de jornalistas estrangeiros serem impedidos de se retirar do país, fazendo isso clandestinamente e da ajuda humanitária não alcançar os mais necessitados.
   À beira da eclosão de uma guerra civil, nem mesmo a pressão e a sanção internacional abalam o chefe de Estado. Quem pensou que após o fim emblemático de Muamar Kadaffi, Assad seria apenas mais um a cair do trono facilmente, se enganou.
   No oriente médio, infelizmente, é muito rápido chegar ao poder -os muitos golpes militares pertencem intensamente à história árabe- difícil é sair; na maioria das vezes morto. Tem-se os exemplos: Kadaffi, Saddam Hussein... Bashar al-Assad, talvez.
   Enquanto a sociedade ocidental vive um "conto-de-fadas" político onde a democracia, a cidadania e as manifestações pacíficas reinam, em sua maioria, nos países árabes a violência é um recurso, muitas vezes, único a fim de criticar os "Reis Absolutistas do Século XXI". Já passou o tempo. O Oriente Médio está atrasado. Não vivemos nesta época.
   Foi comprovado há um ano que a sociedade revindica seus direitos e quando mobilizada pode mudar os seus rumos. A resistência de Assad, há um considerável período, não é de maneira alguma sinônimo de eternidade. A história não está a seu favor. Submeter-se ao povo é a melhor opção a ser tomada.

                                                    Mattheus Reis

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um lugar ao sol

                                                       Corrida Intelectual

   Sinal de independência, orgulho e notoriedade, estar inserido no mercado de trabalho requer constante atualização e criatividade abrangente. A grande concorrência somada a juventude da mão-de-obra pretendida pelos empregadores reforçam a idéia de que o ensino superior não caracteriza-se como último degrau.

    A procura por instituições que ofereçam educação profissionalizante é uma maneira de complementar e aperfeiçoar conteúdos obtidos nas universidades. Enriquecer curriculuns associados a uma experiência proveniente de estágios agradam, e muito, as empresas, uma vez que não é necessário o treinamento de tal funcionário para a execução de específica função.
    Em um mundo marcado pela recente e crescente mobilização acerca do meio-ambiente, o desenvolvimento de projetos que viabilizem a sustentabilidade - o crescimento econômico/social  concomitantemente á preservação da natureza. Assim como uma tendência, degradar o meio-ambiente descontrolada e irresponsavelmente está "fora de moda". Que essa tendência se perpetue!
    O Brasil via os progressos econômico e social, além da crise do euro, aumenta suas possibilidades de se consolidar como uma potência mundial  e de atrair investidores e conglomerados empresariais internacionais. Esta conquista, infelizmente, não se obtém a curto prazo. Talvez em 20, 30 anos. Para não ser somente uma falácia, cabe  ao Estado investir na melhora da educação ao nível das nações centrais. A ausência de mão-de-obra qualificada e diversificada anula praticamente todas estas chances, colocando o país na retaguarda dos BRIC's.
    O mundo, após ter atravessado duas Guerras Mundiais e um conflito político/ideológico, impôs - através da multipolidaridade - novos desafios aos habitantes deste planeta. Se há algumas décadas o homem visava as conquistas nuclear e espacial, hoje a busca incessante pelo conhecimento não ´so se tornou um sinônimo de poder, como de sobrevivência.

                                                             Mattheus Reis